Sunday, 30 July 2017

DA VOLTA ÀS AULAS E A EDUCAÇÃO




Milhares de alunos do pré-primário à universidade voltam às aulas nesta semana. No meio deles haverá também os calouros, que estão entrando nas faculdades, e também um contingente de milhares que concluíram o curso superior no meio do ano a procurar emprego. E como a prioridade número um dos nossos dirigentes políticos em todos os níveis é a educação, não custa falar, no meio do ano, no ambiente político tão desagradável que estamos vivendo, um pouco de educação.

Alias, poderíamos iniciar esta conversa pela educação básica, que não se adquire nas escolas, mas no convívio familiar e no círculo que se vive. Sempre os idosos acharam que os bons modos das gerações mais novas  eram mal educados. E agora não é diferente. Expressões como Senhor e Senhora, que substituem o formal Vós no original da língua portuguesa, desapareceram. Hoje todos somos “ocê”, acompanhado com um Oi, sendo que o bom dia ou tarde já se foi para a estratosfera. Criou-se uma informalidade, não no linguajar, mas no comportamento, que nos coloca todos num saco só, sem distinção de idade, conhecimento, respeito ou  qualquer esforço de mantermos uma distância hierárquica muitas vezes útil  (ou não) para distinguirmos os mais experientes dos mais incautos. Todos e todas.

É uma enorme ilusão que a escola substitui o que o ambiente familiar pode dar em educação. Alias, a família é a nossa primeira unidade de negócios de que participamos. É nela que começamos a negociar, conviver com um grupo de pessoas que são diferentes da gente e com a qual crescemos e vivemos os dramas e alegrias do dia a dia. Aliás, a ministra da indústria e comércio, mineira de Ponte Nova, Dorothea Werneck, já dizia que a implementação das normas de qualidade nas empresas levava essas normas também para as casas, onde se começava a vislumbrar um comportamento coletivo familiar mais organizado nas finanças, nos projetos de vida e na mobilidade social.

Nesse capítulo vale observar que o brasileiro no exterior, não estou falando dos nossos patrícios de Governador Valadares, que emigraram para poder trabalhar e sobreviver,  é conhecido por falar alto, gritar e se exibir. Só no exterior? Provavelmente não, porque os jovens da nossa elite (veja quanto ...inhos  temos nas redondezas da nossa vida) são os que falam: sabe quem é meu pai? Sabe com que está falando? E abusam no trânsito, nas regras e nas leis.

O sistema de valores das pessoas é uma decisão de educação individual e familiar. As escolas podem ajudar, mas essa elite que domina o nosso dia a dia também foi criada, como se dizia antigamente, nas melhores escolas, mas não resolvem. Na crise que vivemos e ainda vamos viver por muito tempo, urge a procura dos valores individuais e, porque não, da nação brasileira.

E mesmo que Minas só tenha o Mar de Espanha, muitos rios e lagos, o peixe continua fedendo  pela cabeça.

Sunday, 23 July 2017

DA MALDADE E DO AUMENTO DO IMPOSTO

A inflação está em baixa, o desemprego, nas alturas mas estável, a exportação está indo bem, o saldo do balanço de pagamentos está bom, os juros da SELIC estão baixando, mas os dos bancos, não, os governos estaduais e  municipais já foram contemplados com programas especiais de refinanciamento, o BNDES já pode aumentar os juros a longo prazo porque as empresas não têm outras fontes de financiamento e, não no final das contas, todo mundo já acostumou a administrar as situações no meio da permanente crise  política. E aí podemos soltar as emendas parlamentares para mais uma rodada de criarmos estabilidade política e, com algumas medidas, garantirmos a meta fiscal. 

E aí vem a solução mais idiota possível, acompanhada com a frase de que o povo vai entender: aumento de impostos. O povo está saturado de ter que compreender essa situação, que se arrasta desde o governo do FHC. Juros altos, baixa taxa de crescimento de emprego, políticos fazendo o que querem e acham que estão certos e o governo achando que aumento de impostos resolve. Ou então que com um band aid da pior qualidade, no dia em que aumenta o imposto, faz uma reforma reduzindo algumas idiotices burocráticas que são uma gota no oceano do nosso sistema de governabilidade burocrática.

Em resumo, me engane que eu gosto.

Não acredito que nossos ilustres próceres econômicos não têm conhecimento técnico do que estão fazendo. Que a estabilidade monetária e fiscal são fundamentais para a estabilidade  democrática, não há dúvida alguma. Mas, que essas cabeças, carecas de saber, não têm outra solução, também não dá para acreditar. Ou então, só tem essa solução? O aumento de impostos sobre combustíveis é um imposto linear, atinge todo mundo e desencadeia um aumento de todos os custos adicionais. Até vaca no pasto fica atingida, porque a ração, leite, remédios, tudo vem com transporte. E o transporte público? Vai aumentar já, já. Ninguém segura mais os aumentos, mesmo que as cabeças ilustres em Brasília tenham calculado que isso não vai afetar a meta de inflação.

A revolta mais contundente foi feita pela Federação das Indústrias de São Paulo, com a campanha do pato revoltado com o aumento de impostos. Mas mesmo com protesto de algumas lideranças empresariais, os empresários não acompanharam os paulistas nesse protesto. E pior, onde estão os sindicatos  dos trabalhadores, que, como sempre, serão mais prejudicados? Vão para ruas defender seus próceres condenados e estão calados diante desta barbárie maldosa que nos foi infringida.

Num país relativamente desenvolvido, com milhares de doutores e boas universidades, temos sempre as soluções mais simples, menos criativas e piores por parte dos governos: para alguns tudo, como pagamentos milionários de emendas parlamentares e lavagens de dinheiro descobertos pela justiça, e para a maioria a conta para pagar. Até quando esse modelo de maldade econômica e enganação política vai aguentar?

Monday, 17 July 2017

DO POVO E PARA O POVO

DO POVO E PARA O POVO

Com mais de duzentos milhões de habitantes, você tem todas as imagináveis classes sociais (quem diria que Belo Horizonte teria parada LTBG um dia, e teve neste último domingo), econômicas , culturais, ideológicas e tudo o que os sociólogos e cientistas políticos podem achar que compõe a variedade nacional chamada Brasil. E por mais que se analise e destrinche essa variedade, sempre aparece que a maioria dos brasileiros não é nem de extrema direita ou esquerda, nem da abastada elite econômica ou política, nem só do Norte,  Nordeste, Sul ou Sudeste, nem só da Amazônia e nem só do sertão. 

Sempre se chega a uma conclusão, estatística e política, real e irreal ao mesmo tempo, que a maioria dos brasileiros é simplesmente o povo. Povão. Mistura de raças, culturas, raízes, convivendo e vivendo em todos os rincões do Brasil. O povão que tem uma cultura popular incrível, capacidade de sobrevivência  superior demonstrada  nos desastres naturais ou provocados como o de Mariana ( e sem solução até hoje) e resistência impar no mundo ao sobreviver à distancia que os separa dos políticos que elegem e da realidade que vivem no dia a dia.

Por exemplo, será que os dois deputados federais mineiros (os dois pertencendo a tradicionais famílias políticas que através de gerações sobrevivem a todos os governos e todas as adversidades, inclusive aos militares) que conseguiram nesta semana, por apoiarem o governo do Michel Temer, dez milhões de reais (ou seja mais de mil salários  mínimos cada um) vão dizer onde será aplicado esse dinheiro? Na saúde, na construção de estradas, educação, novos empregos? Qual a transparência dessas emendas parlamentares para os eleitores? Nenhuma.

E será que os políticos que nos representam realmente sentem e sabem quais são os problemas da maioria dos brasileiros? Temos mais de um quarto da população desempregada ou subempregada e sem nenhuma perspectiva de empregabilidade na nova onda de industrialização que se desenha nos horizontes do eventual desenvolvimento. A saúde pública é desenhada para a morte lenta, não do sistema, mas do paciente. E a educação procura caminhos para ser cada vez mais privada para alguns e oferecer educação pública, com raras exceções, com alguma qualidade.

Em resumo, o brasileiro, brasileiro mesmo, o povo (porque os endinheirados na sua maioria queriam ser cidadãos europeus no Brasil, ganhando dinheiro guardado lá fora, e reclamando que o país é insustentável) estaria preocupado em saber se Temer fica ou não? Me poupe por favor e pergunte se esse povão quer saber dos políticos. Quer saber é se essa roubalheira vai ser punida e se as coisas da vida diária para ele, emprego, escola, saúde, futuro dos filhos fora de narcotráfico, vai melhorar. 

Simples assim. Ao povão não  interessa uma democracia que destrói vidas através de populismo e corrupção. Democracia interessa e é boa se produz não só liberdades individuais mas também justiça e oportunidades iguais. É isso que os responsáveis políticos têm que oferecer antes que o desespero tome conta do país sem prumo e sem rumo. Estamos vivendo um genocídio nacional insistindo que jogos entre diversos atores do poder estão oferecendo uma vida melhor para o povão. Não estão e não sabemos, é onde mora o perigo, por quanto tempo essa situação poderá existir. Como disse Abraham Lincoln: você não pode enganar a todos por todo o tempo.

Sunday, 2 July 2017

DA CEMIG E DAS ESTATAIS MINEIRAS



A CEMIG foi fundada na década de 50, no governo de JK, para acelerar o desenvolvimento mineiro, cujo calcanhar de Aquiles era a energia, na época em mãos de uma empresa norte-americana. Desde o início, o fundamento da empresa era o alto padrão técnico e ético. A CEMIG foi o alicerce do desenvolvimento de Minas Gerais, tanto em termos de seu desempenho empresarial, como no de assistir a economia mineira para crescer na sua base industrial e pecuária. Alcançou as fazendas, as indústrias e as residências. O padrão CEMIG de qualidade era reconhecido no Brasil inteiro. E assistiu crescimento de uma indústria elétrica competente, que foi globalizada desde o seu inicio. Seus quadros, como João Camilo Penna, Mario Bhering, Paulo Mafra, entre outros, alcançaram altos cargos da República e fizeram tanto da  ELETROBRAS  como de  Furnas símbolos de eficácia energética.

A corajosa entrevista  do Presidente da CEMIG à Radio Itatiaia, Bernardo Alvarenga, que expõe as dificuldades da empresa em honrar seus compromissos financeiros, pesados e quase impagáveis, uma empresa composta por 200 alianças empresariais e subsidiarias, além de ter um sócio privado que acabou de fazer acordo de leniência, e com acionistas em 45 países e cotada na bolsa de Nova Iorque, requer uma análise e reflexão profundas. Não só dos acionistas da empresa, mas de toda sociedade e em especial do principal acionista, que é  o povo de Minas Gerais representado pelo seu governo. Dificuldades da  CEMIG são dificuldades de Minas, tal a importância da empresa no Estado.

Sem entrar em detalhes históricos que levaram a essa situação, como quando um diretor da empresa  declarou,  quando a construção de uma usina teve um aumento estupido de custos e os jornalistas perguntaram por que, respondeu, porque havia uma inflação em dólar e ai os custos aumentaram 400 %. Um das razões dessa situação é que os políticos substituíram os técnicos, com diretores de materiais elegendo-se deputados, ou os de distribuição, sendo estes os que angariavam votos no interior. Outra, que se fez uma aliança entre interesses privados de grupos industriais e de engenharia, troca-troca de cargos (presidente da empresa ou diretor ajudava ao fornecedor, em seguida aposentava, virava sócio da empresa e assim por  diante) além de que quando se fez a tal de privatização, inicialmente com um grupo norte-americano (onde teve gente que ganhou um muito dinheiro com especulação com as ações) e em seguida com um grupo de engenharia mineiro, fez-se um acordo para ganhar dinheiro e não para desenvolver a empresa, que entrou em novas alianças, entre elas a Light do Rio (da qual fugiram todos os demais investidores, como os franceses) e inúmeras outras, que contribuíram para que todos ganhassem e a CEMIG perdesse.

Não se pode desprezar nesse processo o papel do INDI, financiado entre outros  pela CEMIG, e nem a questão da concessão de usinas, que está se tornando numa disputa crucial com o governo federal. 

O Presidente da CEMIG está certo quando convoca todos os mineiros a ajudarem a CEMIG a voltar a ser empresa  de excelência para o desenvolvimento mineiro. Mas, precisa de mais do que de um apelo e de desinvestimento, como a venda da Light: precisa de um plano consensual de re-estruturação e compliance. Com os mesmos atores dominando a estrutura da empresa,  seja societária e gerencial, seja beneficiários externos, não haverá mudança que garanta resultados. A atual diretoria tem condições de fazer isso, mas os políticos e o governo do estado também têm que fazer sua parte. E mais: o setor privado também tem que entender o papel da CEMIG, como agencia de desenvolvimento e empresa de excelência, além dos ganhos individuais e da salvação de seus próprios negócios. Aí sim poderemos voltar às origens da empresa e ganharão todos.