Sunday, 30 October 2016

AS LIÇÕES DO CETA PARA O MERCOSUL

AS LIÇÕES DO CETA PARA O MERCOSUL

A semana agitada de negociações finais do CETA, sigla em inglês para o Acordo Abrangente Econômico e de Comércio entre o Canadá e a União Europeia, que ainda precisa ser ratificado pelos 36 parlamentos dos estados-membros da UE, deixou lições importantes para a realidade que enfrentamos nas negociações entre o Mercosul e o bloco europeu.
A primeira é que as declarações de ministros brasileiros, de que o acordo será concluído em 2018, demonstram claramente a falta de conhecimento sobre o que estão falando. E denunciam uma certa ignorância sobre o funcionamento do sistema. O acordo entre um único país — no caso, o Canadá — e a UE levou sete anos para ser fechado — e  sua assinatura foi adiada por uma razão que parece estranha aos ouvidos de quem imagina que acordos como esse se resolvem com uma ordem de cima para baixo. Uma única província da Bélgica, a Valonia, que abriga menos de 1% da população europeia, rejeitou o acordo. Isso obrigou à renegociação das 1600 páginas do acordo e levou à inclusão no documento de quatro novas páginas com as propostas dos valões.
O Mercosul não exige que os acordos internacionais sejam ratificados em referendos. Mas há divergências às vezes intransponíveis entre os pontos de vista dos países membros. A atual situação da Venezuela — país no qual a União Européia tem fortes interesses econômicos —, por exemplo, torna o processo de negociação especialmente complexo. No passado recente, a Comissão Européia, através de sua Direção de Comércio, tinha um mandato negociador que ignorava os movimentos sociais, os estados membros e o próprio Parlamento europeu.
Hoje a situação mudou. Não só pelo fato de a ratificação dos tratados precisar ser feita pelos parlamentos regionais (como o caso da Valonia, que abriga as comunidades germânica e flamenga da Bélgica), mas também porque muitos governos europeus levam a ratificação a consulta popular. Recentemente, a população holandesa rejeitou o acordo entre UE e Ucrânia. Em resumo: os burocratas da Comissão Europeia, adorados pelos burocratas do Mercosul, podem negociar o que quiserem. Mas o que eles acertam precisa do respaldo dos outros atores políticos da UE. Para usar a velha gíria do futebol, se não “combinar com os russos”, não tem acordo.
Como o Brail é, querendo ou não, o país líder do Mercosul e tem a maior rede e o maior peso diplomático entre os países membros da região, é provável que o papel de negociar os termos do acordo sobre para sua diplomacia. É ela quem terá que obter o mandato dos demais sócios do Mercosul e se desdobrar para convencer
Como o Brasil, é querendo ou não, país líder do Mercosul e tem a maior rede diplomática nos países da UE, é provável que esse papel sobre para convencer todos os atores políticos e econômicos na Europa de que o acordo é bom para eles.
O episódio envolvendo o Canada, um pais amigo "mal tratado", como disse a ministra canadense de comércio internacional, mostra a nova face dos acordos internacionais firmados pela União Europeia. Atualmente, a UE está negociando cerca de 20 acordos comerciais. Um deles, com os Estados Unidos.
O jogo mudou. Não começou um segundo tempo. Começou um novo jogo, diferente e mais complexo. E essa complexidade passa pela própria situação europeia mas pelas próprias mudanças ocorridas nos países do Mercosul. Prometer resultados num cenário como esses pode gerar frustrações. O acordo com o Canadá está aí para não nos deixar mentir.
Contar com o acordo entre o Mercosul e a UE para a expansão dos negócios internacionais do Brasil é difícil, senão impossível, a médio prazo. A solução, talvez, seja encontrar outros caminhos, como uma parceria estratégica entre o Brasil e a UE. Talvez seja mais fácil e rápido buscar acordos específicos, como na área de ciência, ou reforçar as relações bilaterais. Algo que, aliás alguns estados membros da UE, como a Itália, Franca, Alemanha, já estão fazendo. O tempo é de novos desafios. Sem ilusões e declarações sem fundamento.



DA RESPONSABILIDADE DE JOGAR E FAZER GOL

DA RESPONSABILIDADE DE JOGAR E FAZER GOL

Acabaram as eleições e dia 1° de janeiro os novos prefeitos e respectivas câmaras de vereadores tomam posse. Talvez seja para, como os dois candidatos a prefeito de Belo Horizonte, que vieram de futebol, o vencedor compreender que o jogo nem acabou e nem começou. O exercício do cargo do prefeito não é jogo de futebol e nem campeonato, é algo diferente. Nos próximos dois meses,  o novo prefeito da Capital terá que aprender mais sobre gestão pública , o que inclui orçamento, e tudo o mais de que foi falado campanha e agora se transforma em realidade. Falar mal do adversário, encontrar seus erros do passado, dizer que não é politico, terá sido brincadeira quando assumir uma entidade sem dinheiro, cheia de compromissos financeiros, e sem recorrer aos padrinhos, porque eles também estão com os bolsos vazios. E como a prefeitura de Belo Horizonte é o maior empregador da cidade, terá ainda que pagar e administrar 135 mil funcionários públicos, cuja perspectiva de melhorar de vida, a médio prazo, é zero.

Aliás, está difícil de achar prefeitura que não esteja quebrada, e mais difícil ainda, de encontrar prefeito que tem algum  plano para resolver essa situação. O repasse dos  impostos estaduais para as prefeituras está atrasado, porque o governo do estado primeiro olha para as suas necessidades e depois para as prefeituras. E os repasses vindos de Brasília são como promessas do Papai Noel. Os prefeitos que se gabaram que conversaram com ministros e eles prometeram ajudar, ou são mentirosos ou não sabem nada, porque os ministros só podem ajudar se houver dinheiro em caixa. E os caixas estão vazios.

Muitos dos prefeitos foram eleitos com câmaras de vereadores gulosas por benefícios de cargos e, com a corda da guilhotina na mão,  para puxar e declarar impeachment do prefeito se ele não der o que pedirem: empregos, cargos, bons salários e obras nas regiões deles que suplantam em imaginação as obras da Lava Jato.

Muita negociação ter que ser feita, incluindo os vereadores mais votados nos municípios. Mas, quem sabe se os eleitos, e em especial na Capital, fazem projetos de desenvolvimento. E para esses projetos, mais uma vez, as  entidades empresariais têm que ter sugestões. Não reivindicações e pedidos pessoais, mas projetos que desenvolvam os municípios para o bem comum. Você lembra de alguma entidade que nessa hora foi chamada para contribuir e contribuiu? Nem os prefeitos as chamam. Com exceções honrosas, dão um cargo de secretário de desenvolvimento, e a situação continua ruim até a próxima eleição.

Friday, 28 October 2016

DO HORIZONTE INTERNACIONAL

DO HORIZONTE INTERNACIONAL

Se uma das medidas da internacionalização de Belo Horizonte fosse as campanhas políticas, e em especial a última para prefeito, nos estaríamos muito bem nas piores classificações mundiais. Para começar, o mensalão teve fortes raízes em Minas, e o nível  da campanha para prefeito em Belo Horizonte teve discussões em um  nível que até os marqueteiros dos candidatos norte americanos, onde as acusações pessoais predominam na campanha, achariam baixas. E se a isso juntar mais os Acrônimo, invasão da Federação das Indústrias pela Policia Federal, e que a sede da Andrade Gutierrez, uma das mais lavadas no processo Lava Jato, é em Belo Horizonte (sem falar nos outros atores políticos envolvidos já ou na fila esperando a vez), temos um retrato negativo de fazer inveja a qualquer um.

Mas, por mais que a campanha dos dois candidatos baixe o nível, há uma realidade no próprio município de Belo Horizonte, a primeira cidade brasileira planejada no inicio do século passado , que se sobrepõe de forma até animadora a tudo, e mais, descrito acima. A cidade possui um excelente plano de internacionalização, produzido pela ainda melhor e mundialmente reconhecida Fundação do Cabral, e executado pela centenária Associação comercial de Minas. Pode não estar andando na velocidade que precisaria, mas está em curso e em nada diminui a sua importância. A abertura de consulados dos Estados Unidos e da Grã Bretanha, mais recentemente, e da Câmara do Comércio Brasil-Israel, só confirmam esta realidade.

Falando em educação, além da Dom Cabral, já fazendo 40 anos, a UFMG, após um trabalho árduo e persistente, está colocada entre as melhores universidades da América Latina. Em vários setores, seus pesquisadores, como na física por exemplo, ou nas área profissional, como engenharia aeronáutica, se tornaram referenciais mundiais. Mesmo o Departamento de Ciência Política, que festejou 50, anos não deixa de ser uma das mais importantes referências científicas do país.

A onda de  inovação e tecnologia passa pela reestruturação eficaz do CETEC, hoje administrado pelo SENAI MG, e a continuidade de iniciativa pioneira na área de biotecnologia, BIOMINAS. Belo Horizonte é hoje um centro tecnológico e de movimento de start up, onde  muitos participam, ganham dinheiro e desaparecem. Mas, também continua sede de empresas nacionais como MRV, Kroton, Localiza, Tenda, Itambé, Cia.do Terno, escritórios de advocacia como Azevedo Sette e mais  alguns, como a pioneira em capital para empresas tecnológicas FIR.

Em resumo, nem tudo está perdido se medirmos pela campanha. O vencedor deve virar as páginas de acusações, para desenvolver melhor o que está desenvolvido e não perder de vista a Belo Horizonte do futuro.

Monday, 24 October 2016

DA ÁSIA

Se para a maior parte  do mundo, a Ásia representa, com a China e a Índia como seus maiores países, parceria estratégica fundamental, podemos dizer que a visita do presidente brasileiro e seus ministros àquela região, se enquadra também nessa classificação. Aliás, esta já é, neste pouco tempo de permanência no governo, a segunda visita do Presidente Temer ao continente. A primeira foi para a China, na reunião dos países do grupo G 20, e agora, para a reunião do grupo BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Quanto  à importância para o Brasil, sem dúvida, o G 20 importa mais do que os BRICS. Aliás, os BRICS só são noticia uma vez por ano, porque, procurando e procurando algo que os una, não conseguem achar um elo da corrente. O último elo procurado é o de comercio livre entre os países membros. Bonito, mas o Brasil não consegue fechar nem o acordo de comércio mais ou menos livre com a África do Sul.

Nos dois grupos estão todos os países dos BRICS, o que teoricamente facilitaria os diálogos bilaterais e conhecimento melhor. Como disse recentemente um especialista chinês sobre as relações entre a China e os Estados Unidos, a relação pessoal entre os presidentes dos dois países conta muito na eficiência das relações. No nosso caso, a relação com a China, do ponto de vista econômico, é absolutamente fundamental. Não só pelo comércio, mas principalmente porque os chineses são hoje em dia um dos mais importantes investidores no Brasil. E olha que nossa ignorância do que acontece lá, como funciona o país, e para onde vai (pelo menos assim demonstrou recentemente um professor chinês para seleto público brasileiro), é de espantar.

Visitou a Índia e as notícias que vieram  de lá, é como se tivessem descoberto, após 500 anos, ao invés do Brasil, a Índia. E o acordo sobre genética do gado  zebu, que sem dúvida é importante, significa que a Índia tecnológica e parceira de desenvolvimento continua uma terra ignorada e incógnita. Sem esquecer que um bom pedaço da siderúrgica do Brasil hoje está nas mãos dos indianos.

Mas, a visita ao Japão foi o marco maior. As empresas japonesas se meteram em encrencas na área do petróleo, confiaram em programas energéticos do governo Dilma, e no crescimento do mercado para automóveis. Os investimentos japoneses no Brasil são significativos e entre eles está um dos maiores abacaxis de hoje, que é a disputa acionária na Usiminas, cujo controle Dilma e seus pupilos na área da indústria entregaram de mão beijada para os argentinos da Techint. Claro que a visita presidencial, com direito a audiência com o Imperador e o Primeiro-Ministro não trata disso, mas também não deixa de tratar.

Assim, a Ásia está na nossa rota prioritária e esperamos que nós também  continuemos sendo a preferência equilibrada para eles.

DO RACISMO E INTERNET

Entrou na sua loja um comprador que seu vendedor, sua segurança e seu gerente, acharam suspeito. Ao final das contas, o dever deles é cuidar bem da loja. Pelo menos eles acharam isso quando segurança puxou o cidadão e pediu para sair. Ai veio empurra –empurra,  bate boca, e as palavras são que nem pasta de dente: não voltam mais para dentro.

Cena seguinte é que o cidadão colocou na Facebook a sua descrição do episódio. Humilhado por ser negro, reagiu e recomendou que ninguém comprasse mais naquela loja que trata mal seus clientes. Em horas, o assunto teve mais de 7000 cliques e milhares de comentários sugerindo não só não comprar mais naquelas loja, mas contando episódios similares em outros estabelecimentos  da cidade. E a grande maioria recomendando que processasse  a empresa, que com certeza ganharia na justiça.

O episódio terminou aparentemente com bom senso do dono da empresa, que emprega milhares de funcionários tipicamente brasileiros, de várias raças, cores e religiões, sem distinção, que telefonou para o cliente mal atendido, pediu desculpas e tomou uma série de providencias, como código de conduta, melhor treinamento de funcionários, compromisso de todos na empresa com diversidade racial e cultural além de gênero, não só para que  o caso não se repetisse, mas para dizer que a empresa, seus sócios, entendem, assimilaram e respeitam as mudanças que aconteceram  e as leis que as acompanham.

A sociedade brasileira, apesar de muitos atrasos, mudou muito. Este episódio mostra claramente que, mesmo que nos orgulhemos da diversidade que domina a sociedade, há muito a fazer no sentido de que essa diversidade seja aceita. As empresas, e em especial comerciais, que têm contato direto com o comprador, desprezam isso lá na ponta, ou seja os vendedores não são treinados para entenderem isso. Em geral, são treinados para escolher bem o cliente que entra na loja, bem vestido, bem cuidado, que acham que tem dinheiro para comprar. Se não for este estereótipo, atendem mal e desprezam, quando não se tornam agressivos.

Com novas leis, e com a velocidade que a reclamação adquire via internet, o cenário mudou. Um episódio como o descrito no início pode acabar com o negócio, sem o dono sequer perceber. E foi até o pessoal da loja, não o dono, que agiu de forma errada, mas também não foi instruído de forma certa.

O mundo mudou e é bom prestar atenção, porque se não acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas, o orgulho de achar estar certo, e pode até estar, não vai ajudar a manter o negócio .

Sunday, 16 October 2016

DO ESTUDO COM OU SEM EMPREGO

Os pais só podem deixar aos filhos e filhas um bem inalienável: a oportunidade de estudo. Claro que em um  sistema educacional público  tão falho como o nosso, onde os professores, aí vai a nossa homenagem pelo seu dia, como os alunos, são verdadeiros heróis, não é  fácil cumprir essa missão, principalmente quando se está desempregado ou com um salário que não cobre os custos de educação. Aliás, estudar não é só obter diploma, é aprender a estudar, é continuar estudando e se aperfeiçoando a vida toda. Imagine que há vinte anos não existia o computador de bolso chamado celular, e, para usá-lo hoje, você tem que simplesmente aprender, tem que estudar para poder usar.

Como o mundo evolui através de tecnologias, assim evolui também a grade profissional. Um bom exemplo desse questionamento começou esta semana na Grã Bretanha, país com um número invejável de melhores universidades do mundo. Pesquisadores chegaram à surpreendente conclusão que forçar através de políticas educacionais os jovens para concluirem a universidade, provocou um desastre profissional. Em outras palavras, pessoas com cursos universitários exercem funções que não exigem curso universitário e tomam o lugar dos formados em cursos técnicos. Cria-se um espaço de frustração profissional e o pior: o exercício inadequado das profissões.

No Brasil, estamos vivendo uma situação muito parecida, mas sem adequados estudos que comprovem a tese de excesso de estudantes sem possibilidade de emprego. Em todas as oportunidades, os empresários reclamam da falta  de mão de  obra qualificada. Ou seja mão de obra preparada para desempenhar as funções  de acordo com as suas necessidades. Mas aí nos tratamos mais de treinamento para o trabalho do que de educação. O fato, por outro lado é que o mercado não absorve no Brasil tantos formandos nas universidades, e endividados, quando frequentam universidades privadas, quantos formamos. É claro que sempre temos um desequilíbrio: uns anos formamos mais engenheiros do que precisamos, e nos anos seguintes não formamos o número suficiente de que precisamos. Além do mais, começamos a fatiar as profissões em tal nível de especialização (turismo logo é um exemplo), que os formandos simplesmente reduzem suas chances de emprego a um universo muito pequeno de oportunidades.
Urge rever, a reforma do ensino médio está na mesa como um primeiro passo, o sistema educacional como um todo. Dessa reforma ninguém fala porque as prioridade são fiscal, previdenciária, política, e a mãe de todas: educação, ficou onde sempre esteve: na boca de políticos durante as eleições, num jogo brutal de interesses  entre as entidades de ensino privadas (um dos negócios mais lucrativos no Brasil)  e públicas cada vez mais pobres, e jovens sem rumo e possibilidade de emprego, porque quem cria emprego não participa desta discussão.

Friday, 14 October 2016

DAS ELEIÇÕES QUE SÃO E NÃO SÃO NOSSAS

DAS ELEIÇÕES QUE SÃO E NÃO SÃO NOSSAS

Exagerar que, para onde vão Estados Unidos, vai o Brasil, como aconteceu no regime militar, não vale mais hoje em dia. Mas, que as eleições no país do Tio Sam no dia 8 de novembro com os candidatos, Hillary Clinton pelos democratas e Donald  Trump pelos republicanos, chacoalham o mundo, não há nenhuma dúvida. A campanha à qual assistimos diariamente está a pleno vapor e mais quente do que nunca. Os debates na televisão são verdadeiro telecach, ou seja luta livre de palavras, acusações e agressões verbais, que milagrosamente ainda não levaram a socos e pontapés. Se alguém se espelha pelo padrão dessa campanha para melhorar a democracia no seu próprio país, creio que o eleitorado vai agradecer esse tipo de padrão democrático. No vale tudo só se procuram defeitos do adversário. Aliás, o campeonato está difícil porque os dois candidatos têm tantos que não dá para fazer a contabilidade.

É claro que a percepção da apresentação dos candidatos, fora dos Estados Unidos, está ligada aos padrões sociais de cada um no seu país. As mulheres do Brasil de classes sociais diferentes enxergam os dois candidatos diferente do que as mulheres, por exemplo, do Sudão. O mesmo vale para os homens da Alemanha ou do Japão. Mas, essas percepções nada têm que ver com o que percebem os candidatos eleitores nos Estados Unidos. E tem mais: mesmo lá, as percepções são mais variadas de região a região e, em especial, por gênero, raça e situação social. E o que vale é que é o voto dos norte-americanos vai eleger o presidente ou a presidente do país mais poderoso do mundo neste momento.

Aí é que começam nossas preocupações.Quais são as propostas que Hillary e Trump têm para melhorarem a economia dos Estados Unidos? O país saiu, na era do Obama, da grave crise de 2008, mas ainda não se recuperou totalmente. A valorização do dólar e a política de juros do país mais endividado do mundo nos afetam profundamente.E o que se ouve no debate entre os candidatos são disparates que não nos deixam dormir com tranquilidade. Os Estados Unidos vão continuar procurando tratados de livre comércio? E com quem?

Na política internacional, além da solução das crises correntes do Oriente Médio, o terrorismo do Estado Islâmico, a crise da Ucrânia e mais e mais, os Estados Unidos vão continuar sendo o gendarme do mundo, ou quem é hoje o inimigo como foi Sadam Hussein ou russos no passado? Qual é o próximo passo para paz ou guerra?

Esta eleição será, com sua escolha, o que em absoluto não abala o eleitor norte-americano, a definição do como será o resto do século. De paz e prosperidade, ou de guerras e volatilidades políticas e econômicas. Podemos torcer, discutir, ter preferências, mas a decisão será do cidadão norte americano. A sorte foi lançada.

Stefan Salej

Monday, 10 October 2016

DA JUSTIÇA E INJUSTIÇA DO TRABALHO

DA JUSTIÇA E INJUSTIÇA DO TRABALHO

Não há um só empresário, empregador, neste nosso país(pode ter um desmentindo o que estou dizendo, para confirmar a regra) que não ache que o sistema de justiça do trabalho (composto pela justiça do trabalho e pelas delegacias do Ministério do Trabalho) é sempre contra o empregador e sempre a favor do trabalhador. Um sistema juridicamente complexo, que deixa na mão de indivíduos, sejam membro do judiciário ou de outros órgãos, mesmo colegiados, o exercício da justiça, da maneira que eles melhor entendem.

Mas, vamos por partes. Há sim empresários que burlam a legislação trabalhista e ferem direitos absolutamente básicos dos trabalhadores. Há sim empresários e empregadores, executivos, que ainda vivem no século retrasado e que acham que quem tem juízo obedece. São da turma do "sabe com quem esta falando! Eu mando e sou soberano". O fato é que toda nossa educação gerencial, mesmo nas universidades públicas, não é orientada nem para o respeito às pessoas e nem às leis. As escolas criam, junto com o ambiente de diferenciação social que existe no país, a formação de uma elite empresarial que manda mais do que lidera e que se acha impune e prejudicada pela legislação que seus pares da classe social fizeram para proteger os mais pobres e menos afortunados.

Nessa situação, o papel, não só do sistema de educação gerencial no país, mas das entidades de classe, é absolutamente fundamental. Começa pelas lideranças que devem dar o exemplo, mas principalmente pelo constante dialogo com todos os atores envolvidos: os próprios trabalhadores, sindicatos, associações e, não no final, a justiça e o Ministério do Trabalho. A pergunta é, quando e quantas vezes, a não ser em situação de crise, greve, as lideranças empresariais se reúnem com a justiça do trabalho para melhorar as relações entre os empregadores e trabalhadores? Há um plano com medição de resultados (reduzir o número de ações, corrigir os erros na aplicação das leis, reduzir o número de greves, melhorar as condições de trabalho, reduzir o número de acidentes etc.etc.) entre os parceiros envolvidos? Duvido. E se há, mostrem!

Por outro lado, quantos juízes de trabalho têm alguma experiência e entendem de dinâmica empresarial? Sabem distinguir os empresários e trabalhadores corretos dos  infratores? Há também trabalhadores, mesmo sendo a parte mais fraca, que provocam problemas e desrespeitam as leis.

Hoje, com 12 milhões de desempregados com carteira e outros 15 milhões sem carteira, a legislação, e sua aplicação pela justiça do trabalho, são de fato um empecilho para o aumento de emprego. Empresas têm passivos trabalhistas que nem sabem que existem e empresários têm pavor de aumentar o número de trabalhadores, porque isso aumenta sua vulnerabilidade financeira. Quebra a empresa.

Será que não esta na hora de a justiça do trabalho, os sindicatos, e os empresários dialogarem e acharem soluções? Porque do jeito que está, essa animosidade transformada em punições, só haverá menos emprego, mais infrações e um jogo que quem mais perde é a parte mais fraca desse elo: o trabalhador.

Paz e guerra na Colômbia

Paz e guerra na Colômbia

A festa de duas semanas atrás, selando a paz  entre o governo da Colômbia e as forças guerrilheiras, após 52 anos de conflitos, foi estragada com o resultado do referendo popular, que deveria homologar o documento assinado pelas partes, após ter sido aplaudido pelo mundo. Por margem mínima, o entendimento foi rejeitado. E no final da semana, o Presidente colombiano Santos recebeu assim mesmo o Prêmio Nobel da Paz, como reconhecimento do seu trabalho para conseguir terminar com a guerra. Ou seja, uma semana e tanto para a Colômbia, que deixou até os opositores ao acordo liderados, pelo ex-presidente Uribe, surpresos com o resultado de urnas.

A primeira observação que cabe é que não se vai para referendum se não tiver certeza de seu resultado. Tivemos dois casos recentes na política internacional, quando resultados inesperados  mudaram o rumo : Brexit, a saída da Grã Bretanha da União Europeia e, agora, na Colômbia. Nos dois casos, os governos e a opinião pública não só ficaram surpresos mas chocados com os resultados. O instrumento democrático do referendum, tão usado na Europa, deve ser cuidadosamente avaliado.

O  segundo ponto é que deram o prêmio Nobel da paz para Santos, algo que o Marechal Tito e Presidente Lula, ambos metalúrgicos queriam tanto, mas ele não foi dividido com outros atores, como os próprios líderes guerrilheiros. E isso vai criar novas dificuldades na procura de uma solução pós- referendum. As negociações recomeçaram agora, com a participação da oposição colombiana, liderada pelo ex-presidente Uribe e, se não está tudo na estaca zero, sem dúvida os avanços serão mais lentos e difíceis. Aliás, é incrível que o Presidente Santos não tenha costurado um acordo entre todas as forças políticas colombianas durante as negociações,  e tenha desprezado a força da oposição às negociações. Neste caso, parece que  os guerrilheiros fizeram trabalho melhor, mesmo sendo uma população numericamente muito menor, e foram para a mesa de negociações bem mais unidos. E continuam unidos.

Prever o que vai acontecer adiante, mesmo com as declarações e análises de que não há volta, de que o mundo não aceita, de que tem que honrar os compromissos já firmados etc., é cair no mesmo erro que trouxe Colômbia a este impasse. Tem que ter muita paciência, muita negociação e muita esperança. A volta à guerra, com uma reviravolta no meio guerrilheiro, não é algo que não possa acontecer.

Mas, no fundo, todos envolvidos sabem que paz é a melhor opção. Agora precisam construí-la, porque às vezes é mais difícil do que guerrear.

Monday, 3 October 2016

DO DIA APÓS AS ELEIÇÕES

DO DIA APÓS AS ELEIÇÕES 
Faltam alguns segundos turnos para acontecer, mas na absoluta maioria dos municípios, as câmaras de vereadores e prefeitos foram eleitos. As contas das eleições, provavelmente as mais baratas de todos os tempos, serão feitas, e os prefeitos eleitos vão agora pensar em como ficaram as câmaras de vereadores e o que fazer após a posse. Os ré-eleitos já sabem. Foram novamente escolhidos porque fizeram um bom trabalho. Mas não custa nada perguntar se esse trabalho será tão bom também nos próximos quatro anos, quando ainda teremos um ajuste na economia, que está em uma queda sem precedentes. Nada há á vista para ter dinheiro mais fácil, nem sinal de que as atividades econômicas vão aumentar.

Para os novatos, muitos deles já bem antigos na política, assumir uma prefeitura será uma aventura sem precedentes. Primeiro porque em raros momentos temos na nossa cultura política uma passagem de poder responsável. Se é o adversário que ganhou, então não precisa saber nada. Se é sucessor ungido pelas urnas, a esse vamos dizer só quando precisar, porque ele vai fazer o que queremos. Em qualquer circunstância, a situação real só vai saber quando sentar na cadeira e receber a chave do cofre.

Mas, a realidade bate em um outro lado: campanha é campanha, e administrar o município é outra coisa. No primeiro caso, você angaria votos. No segundo caso, você gerencia as situações, problemas e, no fundo, o desenvolvimento social e econômico. Precisa ter sonhos, objetivos e saber gerenciar uma entidade pública, governamental, que, quando os candidatos são empresários, têm que entender que empresa  é empresa, governo é governo. São coisas muito diferentes.

Ninguém governa município  sozinho. Em primeiro lugar, há câmara de vereadores. Os eleitores devem manter contato com eles, já que os vereadores às vezes se esquecem deles. Vereador é aquele que está mais perto, em nosso nome, da máquina do poder.

Mas, mais importante é a organização da sociedade civil para participar constantemente da política. E nisso as entidades empresariais têm papel fundamental. Desde já, devem se organizar com propostas, cobrar as promessas e antes de mais nada e, principalmente, oferecer soluções. E nossos sindicatos da indústria, filiados à FIEMG, por exemplo, têm  essas propostas? Não são reivindicações individuais, mesmo que elas sejam importantes, mas projetos que criam mais e melhores empregos, que melhoram a educação e a saúde.

Querem mudar os políticos? Mudem primeiro as atitudes dos eleitores, para se tornarem atores políticos ativos, com propostas. O relógio já começou a contar o tempo. E comecem a pedir planos de desenvolvimento econômico e social do município. O que vamos atingir em quatro anos? Em números.