Sunday, 28 August 2016

DA VIRADA COM PROJETO

DA VIRADA COM PROJETO

Guimarães Rosa, eminente diplomata e escritor, disse que Minas são várias. E nesta semana assistimos a pelo menos dois Brasis diferentes. Acabamos de fechar com chave de ouro a organização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Espetáculo que enche o coração e confirma a nossa capacidade de fazermos  um evento que o mundo inteiro admira. E, na semana seguinte, assistimos nas mesma telas de televisão a um outro espetáculo que é o debate no Senado federal sobre o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. 

Precisa de comentário sobre como se apresentam os nossos desportistas, os organizadores da Olimpíadas, os milhares de pessoas que participaram do evento e o espetáculo no Senado? Não e não! O próprio presidente da casa disse que parecia um hospício, degradando os nossos cidadãos com problemas mentais ao nível dos políticos que temos. E que nos elegemos. Nós lhes demos o mandato popular, do qual tanto se orgulham, para falar e dizer barbaridades e ter comportamentos que nos assustam e que nada têm a ver com cada um de nós.

Mas o show não terminou! Os debates na TV nas campanhas municipais não são muito diferentes. As mesmas pessoas de anos a fio na política se apresentam com frases vazias, palavras ocas, promessas que não tem nenhuma, repito nenhuma possibilidade de serem realizadas. Os problemas como desemprego, educação, saúde e outros mil continuam sendo debatidos com frases  tão desgastadas que dá vontade de rir se não fosse trágico.

Nesse cenário, nenhum candidato a prefeito, e não ha exceção que confirme a regra, apresentou um projeto de desenvolvimento econômico para o município. Se temos desempregados, como vamos gerar empregos? Mas, temos plano diretor. Plano diretor é urbanismo  e faz parte do plano econômico. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Vamos incentivar empreendedorismo. Frase mais desgastada e sem resultado prático  porque isso já esta acontecendo há dezenas de anos e não é suficiente. E sem plano econômico não tem nem aumento de emprego e nem de renda (outra frase preferida dos candidatos).

E aí vem a pergunta: se os políticos não têm, qual entidade  empresarial ou dos  trabalhadores exigiu dos políticos que o fizessem? Todo mundo só tem sugestões que são mais as reivindicações do que sugestões. Aliás, alguém esta sugerindo reforma fiscal no nível do município?

Se o eleitor e suas organizações sociais não exigirem uma nova atitude e compromisso, o espetáculo do Senado será visto ainda pelos nossos bisnetos, a quem estamos deixando uma herança maldita dos nossos tempos: um modelo político que, com seus atores, está  enterrando o nosso país .

Friday, 26 August 2016

DO IRÃ, NEGÓCIOS E POLÍTICA

DO IRÃ, NEGÓCIOS E POLÍTICA

O acordo nuclear concluído há um ano entre as quatro grandes potências (Estados Unidos, Franca, Rússia, Grã Bretanha), mais a Alemanha, com a Republica Islâmica do Irã, reduzindo a capacidade iraniana de produzir artefatos nucleares (no que, com toda razão, Israel não acredita), tem aspectos políticos e teoricamente abre as portas para os negócios naquele país milenar. Com a queda das sanções impostas ao Irã, o mundo dos negócios pode se abrir inclusive para as empresas brasileiras.

Mas, na área política, o conflito quase que armado entre os navios militares dos Estados Unidos e Irã, mostra que nem tudo  é céu de brigadeiro nessas relações. De tempo em tempo, o líder supremo iraniano Aiatolá Khomeini diz claramente que o acordo não quer dizer que o Irã parou de considerar os americanos como seus maiores inimigos e que, juntamente com Israel, representam o alvo preferido dos ataques dos radicais iranianos. E o Irã não deixou de desenvolver sua capacidade militar, testando esporadicamente  armas sofisticadas e modernas com capacidade de atingir inclusive as cidades israelenses. E mais: o Irã continua ativo em conflitos no Oriente Médio.

Por outro lado, com o fim das sanções que está em curso,  um novo país está  surgindo na área econômica, com novas oportunidades de negócios. O sistema financeiro está se consolidando e se interligando ao mundo das finanças. As empresas não estão mais proibidas de negociar com o Irã, nem com receio de serem castigadas em função de sanções. Claro que nem tudo ainda está funcionando de forma normal, mas a invasão das empresas europeias e os grandes contratos que a Itália, Franca e Espanha, entre outros, fizeram em Teerã, mostram que a abertura está valendo.

As notícias dos empresários e dos diplomatas brasileiros que atuam no Irã são mais do que auspiciosas. Claro que, no trato de negócios, tem, como em qualquer outro lugar, que respeitar as leis e, mais do que isso, as regras religiosas e culturais existentes. Por exemplo, a famosa cachaça mineira não tem lugar  no Irã, como nenhuma bebida alcoólica. Há uma cultura específica de negociação, como arte de fazer negócios. E pasmem, também há muitas mulheres, sempre usando chador ( o lenço que cobre a  cabeça) bem educadas nos negócios.
Há espaço de negócios para empresas com alguma tecnologia, empresas medias que são capazes de adaptar seus produtos ao mercado local e até mais: vender tecnologia e montar fábricas com sócios locais. Em resumo, ao invés de promover missões empresariais sempre para os mesmos lugares preferidos, como França, Alemanha, Itália, Miami, deve-se abrir os olhos para um mercado onde produtos e empresas brasileiras se

Monday, 22 August 2016

DA NOSSA CAPACIDADE: PODEMOS

DA NOSSA CAPACIDADE: PODEMOS 

O show de encerramento dos Jogos Olímpicos, no domingo à noite, foi majestoso, simpático, lindo e não sei mais o que, como aliás foi a cerimonia inicial. Show de criatividade, mostra de cultura brasileira, tecnologia e simpatia do povo brasileiro, representado pelos cariocas. Aliás, eles que organizaram as olimpíadas e se fosse fracasso, seria deles, como foi sucesso, é de todos nos! Doze bilhões de dólares investidos na empreitada, recordes mundiais e olímpicos, 205 estados representados e mais e mais. O fechamento foi com chave de ouro e até os críticos permanentes, aqueles chatos que só procuram defeitos, tiveram que se render ao fato: deu certo e foi perfeito. Inclusive na área de segurança, onde morava o maior receio, além do mosquito da zika, que mudou com o mentiroso nadador americano Lochte para Miami.

Na verdade, as olimpíadas não terminaram. Terminou a primeira parte, que glorifica o corpo perfeito, quase a maquina humana que procura a perfeição para a gloria dos saudáveis e fortes. Começa a para olimpíada. Jogos olímpicos das pessoas com necessidades especiais, que têm que se superar em muito mais  do que os participantes dos jogos de beleza e perfeição. E nós os colocamos na prateleira abaixo, inclusive com falta de recursos. É o nosso discurso pelo diversidade, respeito e não sei mais o que, versus  a realidade que vivemos.

Os Jogos Olímpicos, que demonstraram não só a nossa capacidade de organizar um evento, lembre-se de quantas modalidades e com qual precisão foi tudo executado (sem esquecer que aconteceu dois anos após a Copa), mas também deram um recado para todos no Brasil: somos capazes. Podemos sim, sem nenhum ufanismo, conseguir resultados admiráveis e sermos respeitados. Até derrotar alemães no futebol, italianos no vôlei e mais e mais. Bem, como vamos pagar as dividas após os jogos e melhor aproveitar a infraestrutura,  deixamos um pouco para a frente.

E um povo que é capaz de tudo isso, que canta na alegria e na tristeza do desemprego, que luta (veja alguns de nossos medalhistas, de onde vieram e como chegaram lá), tem que aguentar esta situação de falência econômica e política? Porque? Tem que se submeter ao vexame de o Primeiro Ministro do Japão vir receber com o boné de Super Mario a bandeira olímpica, por ser organizador dos próximos jogos de verão, e o nosso Presidente não vai com receio de vaias? 

O Brasil é maior do que um evento, mas passou da hora de os políticos que nós  elegemos, entenderem a grandeza do povo que representam e do seu país . É chocante ver o contraste entre o que somos capazes como povo e o que fizeram as lideranças políticos do país. Triste. Mas, tem eleições daqui a pouco e ai começa a nova corrida para começar a mudança. E é com você no campo que isso vai acontecer!

Friday, 19 August 2016

DOS CINCO Ss: SESC, SENAC, SENAR, SENAI , SESI

DOS CINCO Ss: SESC, SENAC, SENAR, SENAI , SESI

Na verdade, hoje há mais do que os cinco Ss mencionados. Tem mais o de transportes, o SENAT, e o SEBRAE e o das cooperativas. Todas essas siglas, muito conhecidas, arrecadam em Minas mais de 2 bilhões por ano, apesar de que ninguém sabe disso e nunca se divulga com transparência esses números. E de onde vem esse dinheiro, que é  administrado pelas entidades empresariais? De um porcentual da folha de pagamento. Portanto, é dinheiro pago pelo assalariado e administrado pelos empresários. A favor de  quem? Teoricamente, a favor dos funcionários. As entidades são controladas pelos Conselhos, que têm representantes dos trabalhadores e prestam suas contas ao Tribunal das Contas da União, o TCU.

Em várias gestões dessas entidades aconteceram, em graus diferentes, compreensões diferentes dos projetos que deveriam beneficiar os trabalhadores. Uma entidade do comércio adquiriu umas fazenda de 180 ha transformada, em parque temático com estrada de ferro e hotéis no Estado do Rio, longe do mar, para onde o trabalhador não pode ir porque não tem dinheiro para isso. Outra entidade está fazendo um laboratório de medições elétricas, que custará no mínimo 1 bilhão de reais, ao lado do seu único cliente: uma fábrica pertencente aos diretores da entidade. Claro que a justificativa para tanto é mais ampla. A compra de prédios e instalações, que nada têm a ver com o bem estar social e a educação dos trabalhadores, faz parte de uma lista tão longa que seria necessária uma edição especial do jornal.

Na crise, a arrecadação caiu em todos os setores. Os 12 milhões de desempregados não contribuem mais para o sistema S. E aí, começaram os ajustes, que levaram ao fechamento de várias unidades de educação, em especial no interior, inclusive nas terras do José Alencar, ex-Presidente da FIEMG, em Muriaé e Caratinga, mas não prejudicaram o projeto de laboratório de interesse especifico. Foram vendidas outras entidades para prefeituras, que já quebradas assumiram um ônus adicional, como é o caso de Poços de Caldas, mesmo que as indústrias continuem arrecadando e pagando serviços do sistema S.

Em resumo, não ha dúvida alguma de que o Sistemas S, mesmo assim, ainda é mais eficaz e eficiente do que alguns sistemas dirigidos pelo Estado. Por exemplo, as unidades móveis do SENAI, iniciadas na gestão do dr. Nansen Araújo na FIEMG e continuadas na atual, são belo exemplo dessa eficácia. Mas, a redefinição dos objetivos dessas entidades, em função dos novos tempos, inclusive da necessidade de reduzir custos sobre a folha de pagamento,  da maior transparência e seguindo o exemplo do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde a arrecadação compulsória representa só 20 % da receita e há uma transparência que vai além da aliança dos objetivos de empresários e trabalhadores, pode ser a solução. Efetivamente, o corte horizontal proposto no governo anterior não é. Mas, também não é aceitável a situação que existe em algumas entidades. Seria até saudável para todos se os órgãos de fiscalização fossem mais ativos e não arquivassem os processos quando se referem a entidades que arrecadam dinheiro do trabalhador.

DO EXPRESSO TURCO DA MEIA NOITE

DO EXPRESSO TURCO DA MEIA NOITE

Um dos filmes mais violentos que já vimos, mas ao mesmo tempo totalmente verídico, foi O Expresso da Meia-noite, que descreve a prisão de um casal de jovens americanos por tráfico de drogas na Turquia. Isso foi o filme. Agora, sob a presidência de Erdogan, e com base em leis de emergência promulgadas após a chamada tentativa de golpe militar há um mês, foram soltos 38 mil criminosos para dar lugar a 40 mil presos políticos, acusados de participar do golpe.

Mas, a lista continua; foram demitidos 15 mil diretores de faculdades, suspensos 80 mil funcionários públicos, 9000 policiais, 10 mil militares, 21 mil professores da rede privada de ensino, 2745 membros do judiciário, e mais e mais. 

Foi dada ordem de fechamento de 29 editoras, 15 revistas e 45 jornais diários. E a destruição nas bibliotecas  de todas as publicações dessas editoras. Jornalistas, ninguém sabe por onde andam. 

Um processo de destruição de qualquer liberdade e o confronto com qualquer valor democrático ocidental estão em curso nesse país, meio Europa, meio Ásia. Um horror inaceitável para o mundo de hoje, mas aceitável pelas políticas de grandes potências, que já há um século atrás permitiram aos turcos, então donos do Império Otomano, matar centenas de milhares de armênios. A posição estratégica de Turquia, que recebeu três milhões de refugiados sírios, permite que os Estados Unidos mantenham no seu aliado na OTAN (a Turquia tem o segundo maior contingente militar nessa aliança militar após os Estados Unidos) uma base militar com ogivas nucleares.

O governo turco alega que o golpe militar foi organizado por um clérigo muçulmano chamado Gulen, que vive nos Estados Unidos, e cuja extradição está exigindo. Por outro lado, o governo turco, que enfrenta uma luta pela independência no norte do país, da minoria curda, está de bem de novo com a Rússia e, também, após o incidente com um barco turco levando material de apoio ao grupo terrorista Hamas na faixa de Gaza, se entendeu com Israel. O  cachimbo da paz custou a Israel 20 milhões de dólares, pagos aos turcos pelos prejuízos que tiveram na empreitada.

Atentados recentes na Turquia e um estado absolutamente ditatorial nos levam a crer que o mundo prefere uma Turquia ditatorial, desde que ajude a manter certo equilíbrio no Oriente Médio, do que um país democrático. Assim vamos continuar em pleno 2016 a assistir uma tragédia de uma nação marchando para o abismo democrático e levando o seu povo n

Monday, 15 August 2016

DOS JOGOS OLÍMPICOS E DOS BENEFÍCIOS EXTERNOS

DOS JOGOS OLÍMPICOS E DOS BENEFÍCIOS EXTERNOS

Não há meio de comunicação algum hoje em dia que não traga notícias dos Jogos Olímpicos de verão que se desenrolam no Brasil. Bem, Rio 2016, especificamente. Mas, quanto as notícias são de esporte, e estritamente, chama-se Rio 2016. As notícias em torno dos Jogos Olímpicos, como acidentes, crimes, sempre se referem ao Brasil. E, na verdade, os jogos estão sendo realizados no Brasil, inclusive, no caso do futebol, em várias cidades brasileiras. E também a preocupação com a segurança nos jogos, é no final das contas , uma preocupação com a segurança no Brasil. Aliás, o Rio de Janeiro, com soldados e policiais armados nas ruas, rigoroso controle em todos os locais, inclusive nos hotéis, onde você só entra após passar por controles, parece mais um país em guerra do que um país em procura de paz.

Toda a mídia que está voltada para os jogos olímpicos, principalmente aquela que não tem correspondentes no Brasil, escreve sobre o Brasil. E aí a quantidade  de besteirol que sai é inacreditável. Tem jornalista de  jornal europeu que não leu nem livro de geografia do curso primário para se informar sobre o Brasil  e escreve sobre o que está  acontecendo no país, na política e na economia, com a maior desenvoltura. Mas, também é fato que muitos jornais transmitem aos seus leitores informações sobre o país, a língua e os costumes, extremamente interessantes. O New York times ensina um português mínimo para você sobreviver no Rio.

Em resumo, os Jogos Olímpicos, bem organizados até o final, dão um certificado de seriedade, capacidade de organizar e competir no cenário mundial, ao Brasil como um todo. Não menos relevante, as transmissões dos jogos atingem mais de 3 bilhões de pessoas em todos os continentes. Espera-se que as empresas brasileiras aproveitem bem esse mega marketing do país para que, lançando produtos e serviços, aumentem as vendas. E também que os turistas  que visitam o Brasil, ao voltar, o recomendem para outros.

E há também o exercício diplomático chamado soft power. É o exercício que aumenta o poder de negociação do país através do esporte, cultura, educação. Os Jogos Olímpicos se enquadram nessa categoria e certamente nossa diplomacia aproveitou bem a visita de inúmeros chefes de governo e ministros de estado paras quebrar arestas, criar novas alianças e reforçar as antigas. Esta parte da agenda olímpica foi pouco divulgada, como a visita do Secretario do Estado dos Estados Unidos, o Presidente da França, o Primeiro Ministro da Itália, os Presidentes da Hungria e da Armênia, entre outros. Mas, foi eficiente e vai trazer resultados, sem dúvida alguma.

DOS CINCO Ss: SESC, SENAC, SENAR, SENAI , SESI

DOS CINCO Ss: SESC, SENAC, SENAR, SENAI , SESI

Na verdade, hoje há mais do que os cinco Ss mencionados. Tem mais o de transportes, o SENAT, e o SEBRAE e o das cooperativas. Todas essas siglas, muito conhecidas, arrecadam em Minas mais de 2 bilhões por ano, apesar de que ninguém sabe disso e nunca se divulga com transparência esses números. E de onde vem esse dinheiro, que é  administrado pelas entidades empresariais? De um porcentual da folha de pagamento. Portanto, é dinheiro pago pelo assalariado e administrado pelos empresários. A favor de  quem? Teoricamente, a favor dos funcionários. As entidades são controladas pelos Conselhos, que têm representantes dos trabalhadores e prestam suas contas ao Tribunal das Contas da União, o TCU.

Em várias gestões dessas entidades aconteceram, em graus diferentes, compreensões diferentes dos projetos que deveriam beneficiar os trabalhadores. Uma entidade do comércio adquiriu umas fazenda de 180 ha transformada, em parque temático com estrada de ferro e hotéis no Estado do Rio, longe do mar, para onde o trabalhador não pode ir porque não tem dinheiro para isso. Outra entidade está fazendo um laboratório de medições elétricas, que custará no mínimo 1 bilhão de reais, ao lado do seu único cliente: uma fábrica pertencente aos diretores da entidade. Claro que a justificativa para tanto é mais ampla. A compra de prédios e instalações, que nada têm a ver com o bem estar social e a educação dos trabalhadores, faz parte de uma lista tão longa que seria necessária uma edição especial do jornal.

Na crise, a arrecadação caiu em todos os setores. Os 12 milhões de desempregados não contribuem mais para o sistema S. E aí, começaram os ajustes, que levaram ao fechamento de várias unidades de educação, em especial no interior, inclusive nas terras do José Alencar, ex-Presidente da FIEMG, em Muriaé e Caratinga, mas não prejudicaram o projeto de laboratório de interesse especifico. Foram vendidas outras entidades para prefeituras, que já quebradas assumiram um ônus adicional, como é o caso de Poços de Caldas, mesmo que as indústrias continuem arrecadando e pagando serviços do sistema S.

Em resumo, não ha dúvida alguma de que o Sistemas S, mesmo assim, ainda é mais eficaz e eficiente do que alguns sistemas dirigidos pelo Estado. Por exemplo, as unidades móveis do SENAI, iniciadas na gestão do dr. Nansen Araújo na FIEMG e continuadas na atual, são belo exemplo dessa eficácia. Mas, a redefinição dos objetivos dessas entidades, em função dos novos tempos, inclusive da necessidade de reduzir custos sobre a folha de pagamento,  da maior transparência e seguindo o exemplo do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde a arrecadação compulsória representa só 20 % da receita e há uma transparência que vai além da aliança dos objetivos de empresários e trabalhadores, pode ser a solução. Efetivamente, o corte horizontal proposto no governo anterior não é. Mas, também não é aceitável a situação que existe em algumas entidades. Seria até saudável para todos se os órgãos de fiscalização fossem mais ativos e não arquivassem os processos quando se referem a entidades que arrecadam dinheiro do trabalhador.

Sunday, 7 August 2016

DE BUENOS AIRES

DE BUENOS AIRES

Não há  como não reconhecer que Buenos Aires é uma cidade sui generis na América Latina. Sua imponência arquitetônica, com largas avenidas e áreas verdes, com lojas elegantes e restaurantes excelentes, se sobrepõe a tudo o que se possa ver na periferia da cidade, onde mora a maioria das pessoas. Pessoas sofridas, com dificuldade de achar emprego, muitos pedindo esmola, e independentemente do inverno, frio, às vezes desagradável, mantendo o orgulho de ser argentino, uma maneira  muito própria de ser, que poucos países têm.

Talvez essa argentinidade seja mais visível não só nos estádios de futebol, uma paixão nacional que chega a superar o nosso nacionalismo futebolístico, mas no seu centenário Teatro Colón, no centro da cidade. Renovado, concorrendo com seus oito andares de galerias só com o Teatro Lá Scala, em Milão, é lindo. E com uma programação, mesmo durante as férias, de fazer inveja a qualquer aficionado de música e opera. E sempre, todas as noites,  lotado nos seus três mil lugares. A apresentação dos pianistas Daniel Barenboim (ele também regendo a Orquestra West-Eastern Divan) e Marta Argerich, além da apresentação de obras de compositores argentinos, valem uma visita a Buenos Aires. E mostram talvez o país que queria ser, mais do que o país que consegue ser.

A leitura dos jornais diários dá nítida impressão de que você esta lendo em espanhol, com nomes trocados, um jornal brasileiro. A semelhança termina no fato que Macri foi eleito e esta há sete meses no governo. Os escândalos de corrupção e quebra de caixa, aliados a todas as formas de má gestão deixada pelo governo anterior, são  muito, mas muito parecidos com a situação brasileira. O kircherismo, com a manta do tradicional  peronismo, se assemelha, por seus métodos de gestão pública, em muito com o período que vivemos no Brasil. A diferença com Brasil talvez esteja no fato de que a nossa justiça, em níveis de primeira instância, aquela que lidera o processo da Lava Jato, parece menos politizada do que a do país vizinho. E até no assassinato político somos similares: Celso Daniel aqui e procurador Nissman lá. Em nenhum dos dois casos descobriram os culpados, e nos dois casos se desconfia de que altas esferas do governo foram envolvidas.

Tão diferentes, tão semelhantes. A reconstrução da Argentina, apesar das enormes riquezas do país, vai levar décadas. A destruição feita, primeiro pelos militares, seguida pelos políticos irresponsáveis, é de tal tamanho  que só a aliança com investidores estrangeiros não vai bastar. Pode ajudar, mas profundas mudanças terão que ser feitas pelos próprios argentinos, não com Messi, mas com Macri. Haja paciência para que isso aconteça, porque se a Argentina vai mal, o Brasil não vai melhor.

MEUS JOGOS OLIMPICOS

MEUS  JOGOS OLÍMPICOS

"A cerimonia da abertura dos Jogos Olímpicos no Rio foi majestosa, grandiosa, espirituosa, com ritmo dinâmico da vida brasileira, e mensagem clara ao mundo do Brasil. Os comentários invejosos e injustos antes da inauguração, a crise brasileira é um assunto interno dos brasileiros, foram sobrepostos pela cerimônia, que mandou uma mensagem inconfundível ao mundo: otimismo, solidariedade e a preocupação dramática com o meio ambiente".

Essas foram as palavras que enviou o Embaixador esloveno Zvone Dragan, logo após a cerimônia. A Eslovênia, membro da União Européia, comemora este ano 25 anos de independência e, com seus 80 representantes nos jogos, espera superar-se, pois, além de ser classificada pelos comentaristas da TV na hora do desfile como o país mais bonito do  mundo, é o país com o maior número de medalhas per capita, entre os mais de 200 países que estão participando dos jogos, não só no Rio, mas no Brasil.

A cerimonia mostrou aos brasileiros um mundo de países cujos nomes nunca haviam sido ouvidos. E que representam mercados para nós. Mas, mostrou a excelência do Brasil. Por exemplo, até hoje há confusão se o inventor do avião foi o brasileiro Santos Dumont ou se foram os americanos. O Brasil, com o 14 Bis do mineiro Santos Dumont, assumiu,  depois de  mais de um século, que essa invenção é nossa! E a música? Uma das nossas excelências é a musica. Aí sim temos classe mundial, que encheu nossos corações de emoção e nossos olhos, de lágrimas.

Os jogos começaram e, até o término, pode acontecer muita coisa. Boa e imprevistos.  E agora vamos ser torcedores e observadores. Cada apresentação de nossos atletas nos dá a oportunidade de torcer por eles e pelo país.

Mas, onde estão os aprendizados, para o empresário e os executivo destes jogos olímpicos? Primeiro, que para participar como desportista nos jogos, você tem que se preparar. Tem objetivo, medalha, e luta por ela. Se prepara, estuda, treina, vai suando e seus resultados são medidos em nano segundos. Dois, nada se faz sem equipe. Mesmo quando você é só atleta individual, tem  sempre equipe. Equipe  que o acompanha e da qual você faz parte, se o jogo for coletivo. E não no final, há leis, regras. Doping, faltas, lembra do mexicano que caiu na raia antes e foi desclassificado? E não vamos esquecer de acidentes, o francês que quebrou a perna na ginástica. E tem uma concorrência feroz!

O empresário tem jogos olímpicos todo santo dia, durante 365 dias por ano. Mas, será que tem preparo, planejamento e trabalha em equipe para ter resiliência como os esportistas? Vamos apreender com eles, observando bem o que acontece nos jogos. A cerimonia inicial  foi uma excelente lição de nossa capacidade, agora você continua com ela.

Monday, 1 August 2016

DOS 115 ANOS DE ENTIDADES EMPRESARIAIS

DOS 115 ANOS DE ENTIDADES EMPRESARIAIS


Esta difícil achar uma empresa centenária em Belo Horizonte. Cedro Cachoeira, centenária e ainda mineira. Diário do Comércio, 82 anos. Casa Artur Haas, não existe mais. Quem mais mesmo? Mas, os 115 anos da Associação Comercial e Empresarial de Minas, fundada junto com a nova capital, nos levam a reflexões sobre a  perenidade empresarial e também a das entidades classistas. Como uma entidade que se sustenta com recursos voluntários dos associados consegue a renovação e mantém seu papel de aglutinar os empresários e empresas?

Aliás, despreza-se o papel de entidades empresariais voluntárias, como a ACM, em todo o estado. Há muito mais associações comerciais espalhadas no estado do que sindicatos filiados às federações de indústria, comércio, transportes, com exceção dos sindicatos rurais, que são os mais numerosos na área empresarial no estado. Como as entidades sindicais recebem recursos obrigatórios e têm por isso orçamentos gigantescos, incluído aí os orçamentos do sistema S, que inclui as ações sociais e  educacionais, elas têm  aparentemente uma força política impar. De um lado, seu nível de transparência, apesar de receber recursos, é basicamente interno, por outro lado algumas delas usam publicidade institucional bem pesada para mostrar uma imagem que esconde o que de fato acontece na gestão.

Em Minas, só a agricultura pode dizer que sua entidade corresponde ao seu tamanho na economia e a sua gestão não é  caso de polícia ou justiça. Uma entidade está sob inquérito da Policia Federal e outra, na justiça estadual. E a terceira, das poderosas, politizou a tal ponto, que seu presidente nacional está sob vários inquéritos judiciais. Outra questão é o continuísmo. Numa entidade dessas, acham-se no direito sereno de simplesmente continuarem na presidência os sócios da mesma empresa, ou então proporem a mudança de estatuto, que prorroga a gestão dita democrática para sempre.

Se os empresários querem ter um papel de liderança no desenvolvimento do país, do seu estado e do seu município, têm que seguir no mínimo o exemplo centenário da ACM: objetivos claros, consensuais, transparência na gestão, democratização da gestão e sucessão com acesso dos sempre mais e mais jovens, e trabalho pelo associado e pela comunidade. A entidade empresarial existe para desenvolver a sociedade como um todo, através da ação empresarial. E não para desenvolver o interesse político ou a ambição financeira de indivíduos ou  grupos dirigentes, usando todos os meios, inclusive a perseguição dos que não concordem com isso, para se manter no poder fictício, porém às vezes lucrativo.

Não faltam bons exemplos e esta comemoração dos 115 anos da ACM, como dos 60 anos da FAEMG recentemente, servem justamente para repensar o papel responsável que entidades empresariais têm  na sociedade. Ou o irresponsável que possam ter.