Sunday, 29 March 2015

DAS MUDANÇAS


DAS MUDANÇAS

As  mudanças são uma constante da vida. E muito mais da vida do empresário, empreendedor, borracheiro, mecânico, dono da pizzaria, da boutique, da padaria. Quem se decidir a entrar para o ramo do negócio próprio, independente do ramo e do tamanho, tem que estar preparado para mudanças que superam qualquer mudança climática ou a previsão de tempo.

A primeira constatação é que no passado já tivemos tempos melhores. Mas também tivemos tempos piores. A Europa passou por guerras, terrorismo de várias espécies que ainda assola o continente, por quebra de impérios como o otomano e o austro-húngaro e mudanças de regimes após Segunda Guerra Mundial. Mas, as empresas estão lá  produzindo, servindo e exportando.  O mesmo vale também para Estados Unidos, com outros eventos, mas as empresas continuam se adaptando  às mudanças.

Em resumo, o mundo  está cheio de mudanças. E o Brasil, um território imenso, quase imune aos acontecimentos externos, consegue criar problemas e situações internas que, listados, estourariam  qualquer depósito de dados, seja na nuvem, seja na terra. Ou seja, o empresário brasileiro está sujeito a mais mudanças internas do que externas, e elas tem sim afetado muito os negócios.

A quantidade de fazedores de regulamentos e leis que temos no país é absolutamente incrível. A todo minuto, não é por hora ou dia, saem novos regulamentos. Você vai para a empresa e já mudou a direção da rua. E quando chega lá, esperam você e seus funcionários  novos regulamentos e novas leis. No Brasil, todo mundo na administração pública e na política se acha no direito  de emitir regulamento, lei, decreto e o pior de tudo: interpretar dentro da sua conveniência e principalmente  interesse.
Com essa situação, nos já nascemos criminosos, porque simplesmente não é matematicamente possível cumprir todas as leis, regulamentos e decretos. A empresa no Brasil já  nasce inadimplente e o empresário pode ser considerado for a da lei.

Se não  enfrentarmos esse dragão que nos devora, não há competência empresarial que resista e que acabe com a corrupção que o sistema cria.

Por isso é fundamental que o empresário esteja preparado para mudanças, de onde elas vierem. Mudança é o nome acoplado ao do empresário.

STEFAN SALEJ
www.salejcommment.blogspot.com
28.3.2015.

Thursday, 26 March 2015

DO CALENDÁRIO PIRELLI E O CAVALO DE TRÓIA



DO CALENDARIO PIRELLI E O CAVALO DE TROIA

A quinta marca de pneus mais prestigiada no mundo, patrocinadora da Formula1 e inúmeros eventos, centenária fabricante de pneus de borracha e mais conhecida por seus  sensuais calendários pendurados em todas as borracharias e oficinas mecânicas no Brasil, deixou de ser italiana. Os chineses que, no ano passado investiram 20 bilhões de dólares nas compras de empresas na Europa, compraram por uma bagatela inferior a dois bilhões de dólares a marca, instalações, subsidiarias e calendário da Pirelli no mundo inteiro. Compraram antes a Volvo, uma parcela substancial da Citroen- Peugeot, Pizza Express, o Porto dos Pireneus, o principal da Grécia, e até as marcas de luxo de  roupas Aquascutum e Sonia Rykiel.

Os chineses raramente começam um investimento novo na Europa. Preferem comprar marcas conhecidas e com boa penetração internacional e, de preferência, em dificuldades financeiras. Hoje a China investe mais nos Estados Unidos  do que os americanos na China. Os chineses criaram uma elite gerencial, formada em escolas de negócios no mundo inteiro, que lhes permite umas gestão eficaz e uma compreensão da cultura local muito melhor do que, por exemplo, os espanhóis.

Mas, a economia chinesa é uma economia estatal atuando bem dentro das leis de mercado. O país é politicamente monolítico e atua de uma forma absolutamente unânime dentro de seus interesses nacionais.  Então não há empresa chinesa que ande pelo mundo sem interesses chineses maiores serem atendidos. Nem para comprar fábrica de sorvete, quiçá uma fábrica  como a Pirelli. E a professora Meunier, da prestigiosa universidade norte-americana Princeton, diz com clareza que os investimentos chineses na Europa podem se tornar um Cavalo de Tróia, introduzindo políticas  e valores chineses no coração da Europa.

Na verdade, isso vale para outras regiões e para o Brasil também. Os capitais chineses, como aliás também os dos outros gigantes econômicos, são parte da expansão econômica e os países utilizam todas as suas formas para atrair  investimentos e tirar o máximo deles. Nada de novo nessa história e na América Latina já foram feitas intervenções militares por conta disso.

O que definitivamente seria bom é, na tão propalada vinda de capital estrangeiro para Brasil, também levar em conta não só os dólares que entram, mas os que saem e o que vem com eles, ou seja tecnologia, mercado, equipamentos modernos e outros meios de produção eficazes. Só dólares, entrando e saindo ainda mais, não serão suficientes, a não ser para ter calendário com incentivos da Lei de Incentivo à Cultura.

Stefan Salej
25.3.2015.

Sunday, 22 March 2015

DAS GUERRAS E AGUA

DE GUERRAS E AGUA

Todo arranjo geo politico leva em consideração as aguas. Sejam rios, mar, lagos, nascentes de rios, aguas subterrâneas, e todas as outras formas que nos permitem acesso a agua. E não existe nenhuma estratégia militar aliada a estratégia politica que não leve em consideração estes aspectos. E mais: sem agua não ha sobrevivência humana, não ha desenvolvimento econômico, não ha vida. Simples assim.

E quanto destes preceitos são colocados em pratica pelas nações é que determina o seu grau de desenvolvimento.  Nações fortes e desenvolvidas tem politicas referente agua, seja doce ou salgada, como a base de sua politica de sustentabilidade. Os países não esperam chegar a crise de agua, seja nos lares, seja na indústria, seja na agricultura, mas planejam seu desenvolvimento em torno de recursos hídricos. Bom exemplo disso é Israel, um pais essencialmente sem agua e com pouco mar. Os israelenses  logo apos a sua independência em 1948 fizeram uma rede de aquedutos e sistema de abastecimento que foi a base de seu desenvolvimento agrícola, de assentamentos humanos e de indústria.

Na grande crise econômica de 1929 nos Estados Unidos, o governo do Presidente Roosvelt iniciou um programa no Vale Temesse, em curso ate hoje e que mudou a face de desenvolvimento daquele pais. Alias,  não é de hoje que a preocupação com agua era a preocupação fundamental dos governantes: ainda ha cidades  europeias que tem a rede de agua e esgoto feitos pelos antigos romanos. E a rede de aproveitamento de agua de Paris, que vale a pena visitar, foi feita ha mais de um século e é um exemplo de reaproveitamento de agua.

No Brasil   não ser  a crise deste ano, não se tem consciência nem da riqueza que a agua representa, e nem de ameaça que é, devido  a ausência de politica e a gestão adequada. Você já ouviu que Congresso Nacional debatesse  esta questão e criasse uma politica de gestão de aguas no Pais? Claro que não, porque só se debate, quando falta. A quantidade  de órgãos que cuidam da questão inclusive Agencia Nacional de Aguas, ANA, é enorme e todos eles só tratam de regulamentos e obras. Alias, a transposição de Velho Chico, faz parte deste imbróglio.

E mais, agua custa. E quem usa, tem que pagar. E por aqui quem abusa do uso, como mineradoras, e provocam desastres ecológicos, é que pagam menos e tem mais atenção do governo do que todo o sistema de saneamento e sustentabilidade do pais inteiro.  A ultima crise de agua no Brasil pela maneira que administramos este bem precioso da vida, não nos ensinou nada. Então,  nem São Pedro vai cuidar de nossas aguas.

Stefan SALEJ
19.3.2015.

Friday, 13 March 2015

DA ITÁLIA RENOVADA

Da Itália renovada

O fato é que a maior perturbação para a economia e a política externa brasileira está se processando na vizinha Venezuela, com o Presidente Maduro perdendo as rédeas do país e devendo ao Brasil tantos bilhões que nunca se sabe quando poderá pagar. Mas, os brasileiros pouco sabem da Venezuela, pouco lhes interessa o que acontece no país vizinho e não têm parentes por lá. Parentes temos na Itália, e mais de 400 mil oriundi, descendentes de imigrantes italianos, estão esperando o milagroso passaporte italiano, além dos mais de 250 mil que tem a cidadania dupla. E temos também uma jovem paranaense, Renata Bueno, deputada eleita por citadini italiani na América do Sul, que os representa no Parlamento italiano. Sem falar no foragido Pizollato do lado brasileiro, que espera extradição da Itália para Brasil e do Battisti, do lado italiano, que espera deportação do Brasil para Itália.

As relações não são só afetivas e culinárias, elas também são econômicas, educacionais e culturais.Os investimentos italianos no Brasil são significativos e a contribuição da imigração italiana no Brasil, principalmente no Sul do país, deixou marcas profundas no progresso brasileiro. Sem essa contribuição na industrialização brasileira, o país seria outro.

Por isso e mais, os olhos estão mais virados para a península italiana do que para a vizinha perturbada. E aí, vale a pena olhar a nova revolução que está acontecendo por lá. O jovem Primeiro-Ministro Renzi ainda está no poder. O Cavalheiro Berlusconi, que dominava a política italiana, foi inocentado no famigerado processo Bunga Bunga, de incitação à prostituição de menores. Mas neste momento quem dá as cartas na política é o ex-prefeito de Florença. Renzi elegeu o seu candidato a Presidente da República Italiana, um ex-juiz do Sul da Itália, fato inédito, e conseguiu colocar a sua jovem e, para os padrões europeus conservadores, inexperiente Ministra de Relações Exteriores, como Comissária de Relações  da União Européia, o segundo cargo mais importante no continente europeu. Não é pouca coisa, não!

No campo econômico, passou uma legislação chamada Sblocca Italia, desbloqueia Itália, que dá mais flexibilidade às empresas, tanto na área fiscal como trabalhista. Segundo o semanário francês Nouvel Observateur, esse programa está criando mais e melhores empregos. Na área de confecções, os italianos estão retomando o Made in Italy e reconquistando o mundo. O mesmo vale também para a ofensiva na área alimentar.

E não se pode esquecer a operação italiana na indústria automobilística, quando a Fiat, no meio da maior crise européia, adquiriu a Chrysler norte-americana. Um ato de coragem, visão e competência, com reflexos enormes para os negócios no Brasil.

Talvez a maior revolução na política e economia européia esteja acontecendo na Itália. Se for bem sucedida, falta ainda muito, vai mudar a face da Europa. Vale a pena prestar muita atenção!

Stefan Salej
12.3.2015.

Sunday, 8 March 2015

DO DÓLAR QUE TE QUERO VERDE

O dólar que te quero verde


O dólar sobe, o dólar desce, e o real fica onde? O dólar está onde sempre esteve, nem desce e nem sobe em relação ao real. O que se valoriza, ou seja sobe, ou desvaloriza, ou seja desce, é o real, a nossa moeda. Complicado? Não. O real valorizado é quando você precisa de menos reais para comprar um dólar. Como quando um dólar valia 1 real e 50 centavos. E o real desvalorizado é ao contrário. Como agora que você precisa de 3 reais para comprar um dólar.

E na vida cotidiana, que influência tem isso? Todos os produtos e serviços que possuem componentes comprados no exterior  e pagos em moedas estrangeiras ficam mais caros. Ou seja, não é só produto chinês, mas também viagens e, por exemplo, automóveis, que tem uma boa parte de seus componentes importados, sobem de preços. Alimentos que são produzidos com máquinas que tem componentes importados ou insumos como fertilizantes importados, idem. E assim, numa economia brasileira bastante internacionalizada, ou seja com muitos produtos e componentes importados, a influência da desvalorização do real  nos preços é grande.

Do outro lado da balança, os exportadores recebem mais pelos seus produtos e serviços. O dólar que entra gera mais reais e sempre nessa situação os exportadores podem ser beneficiados. E teoricamente os produtos brasileiros se tornam mais baratos em relação aos importados, dando uma folga à indústria nacional.

Nas regiões onde tem indústria e agricultura  orientadas à exportação, há sempre uma vantagem a mais. É o caso do Sul de Minas e do Triângulo Mineiro. As duas regiões tem tanto agricultura como indústria orientadas para o mercado mundial e com isso estão neste momento com receitas maiores do que há dois anos. E dessa situação podem se beneficiar todos, quando a re-orientação da indústria de exclusivamente para o mercado nacional para o mundial, acontece com  sucesso. Caso típico é o do Vale de Eletrônica no Sul de Minas, onde esse processo está em curso.

E a especulação com dólar. Vale a pena ter dólares como poupança. Ou euros, que foi a poupança do Comendador José Alfredo, roubados e guardados numa piscina, como mostrou a novela Império. Se você importa ou usa produtos que tem componente importado, tem que acompanhar esse mercado sim. E se você for exportador, também. Mas, a especulação é, como todo jogo, para os profissionais. Você ter na sua carteira uma parcela em moeda estrangeira pode ser bom, mas você deve saber quando é a hora de se desfazer e comprar outro ativo.

No Brasil, o valor da moeda é determinado também por fatores externos. O dólar está se valorizando em relação a todas as moedas estrangeiras, não só em relação de real. Mas, também no Brasil a queda de exportações e a especulação de que governo vem sustentando um valor irrealista do real, levou à diminuição de reservas. Ou seja, o Brasil tem pouco dólar. E se algo falta, o preço sobe.

Stefan Salej
consultor internacional
ex Presidente da FIEMG
www.salejcomment.blogspot.com

Thursday, 5 March 2015

DA BOMBA ATÔMICA IRANIANA

Da bomba atomica iraniana

A ameaça nuclear que era tão presente na década de 50, logo após os Estados Unidos jogarem as primeiras bombas atômicas sobre o Japão, hoje para a maioria da população mundial não faz nenhum sentido. O fato de termos um terrorismo quase diário espalhado pelo mundo e com visível liderança do Califado Islâmico no Oriente Médio, nos faz crer que artefatos nucleares não são uma ameaça. Coréia do Norte, Paquistão, França, Índia e claro, Estados Unidos com Rússia e China, são os principais detentores dessa tecnologia destruidora da humanidade. Mas a eles está se juntando com passos largos um dos regimes mais radicais do mundo islâmico, o Irã. Com seus aiatolás radicais, está cada vez mais próximo de obter a tecnologia nuclear  de uso militar e fabricar a sua bomba atômica.

Os atuais detentores do poder no Irã estão habilmente negociando a construção de sua potência nuclear com os Estados Unidos em troca de apoio no combate aos outros radicais islâmicos, o Califado. De forma e maneira alguma o Irã concorda em reduzir as pesquisas na área nuclear, mas tão somente reduzir a velocidade mediante na qual vai desenvolver suas tecnologias nucleares.E de arqui-inimigos como eram os dois países, após eventual acordo, se tornam aliados no combate ao inimigo comum, o radicalismo islâmico.

Vale a pena lembrar que os mesmos aiatolás que estão no poder mandaram ocupar a Embaixada dos Estados Unidos em Teheran, capital iraniana e entre outras atividades promoveram há vinte anos um atentado a uma sinagoga e sede de comunidade judaica em Buenos Aires. Tudo isso foi esquecido em nome do combate a um inimigo maior e mais feroz. Aliás, esse não é o primeiro exemplo de alianças na história em que dois inimigos se unem para derrubar o terceiro que ameaça os dois. Mas, sempre a pergunta é quem vai pagar o preço dessa aliança.

Nestes dias a comunidade judaica celebra a festa de Purim, popularmente conhecida como o carnaval judaico. Mas, a origem da festa está na história da antiga Pérsia, hoje Irã, quando no ano de 3405 do calendário judaico, o rei persa Ahashver, por sugestão do seu primeiro-ministro Haman, mandou matar todos os judeus do reino. Após três dias de jejum esperando serem massacrados,  a rainha Esther se dirige ao rei e lhe confessa sua origem judaica e a intenção do seu primeiro ministro em massacrar os judeus. O rei enfurecido manda enforcar Hamam e assim salvar os judeus da morte.

Hoje, a bomba atômica do Irã não atingirá a  mais segura das cidades do mundo contra a nuvem atômica, que é Belo Horizonte. Mas, além de provocar total desequilíbrio das forças militares na região, o alvo mais perto é Israel, que vai ter eleições dentro de duas semanas. E o atual governo foi a Washigton para, com discurso no Congresso, hostil a Obama, convencer os americanos de que estão fazendo um mau acordo com os iranianos. Seja como for, se o Irã tiver bomba, o primeiro alvo é o mais próximo inimigo: Israel.

Stefan Salej
5.3.2015.