Saturday, 28 February 2015

DAS CONTAS A RECEBER

Das contas a receber

Você deve, você paga. Mas, o outro lado de moeda, devo, não nego e não pago, está muito mais na moda. Ou aquela piada dos nossos primos que quando Salim não conseguia dormir, a zelosa esposa perguntou, por que? Porque devo ao José e não consigo dormir porque não sei como vou pagar. Zelosa, a esposa pegou o telefone, ligou para o José e disse que Salim não vai pagar porque não tem  dinheiro. E virou para o maridinho e disse: agora quem não vai dormir é ele, e você pode dormir.

A verdadeira história de receber começa quando você faz o negócio. Ou seja, diminua o risco ao máximo no início de negócio. Venda ou faça negócio, ou empreste dinheiro, verificando bem com quem você está lidando. Os não pagadores não são novidade, sempre existiram e não precisa de crise como a dos dias atuais para eles aparecerem. Aliás, é um ramo de negócio próspero e crescente. O importante é que você, seja pessoa física ou jurídica, não seja um fornecedor de recursos para essas pessoas ou empresas. Não é só as pessoas que não pagam, as empresas criam tradição em não pagar ou pagar com atraso e com isso ganham muito dinheiro às suas custas. E não se iluda com a grandiosidade de nomes, a tradição e a sua vontade de fazer negócios com um cliente aparentemente importante, mas com a tradição de não cumprir os compromissos.
Ninguém é bom pagador enquanto o dinheiro não estiver na sua conta, no seu bolso!

Há meios para diminuir o risco, como referências,análises de balanços (sempre mostram o comportamento passado), referências bancárias e de outros fornecedores e mais do qualquer coisa, análise das relações de negócio. É o caso da cadeia de petróleo e fornecimento das empresas que fornecem hoje para a PETROBRAS. Se a PETROBRAS não pagar a construtora que contratou por n razões, seus fornecedores também não vão receber. Mas no passado a PETROBRAS  pagava em dia. Pagava, tempi passati. Pode até pagar em dia no futuro.

O cálculo do prejuízo em não receber é muito simples: se o seu produto vale 100 e você tem uma margem de 5 %, e não recebeu os cem reais do produto ou serviço que você forneceu, quanto você tem que vender para recuperar os cem reais não recebidos? 2000 mil! Imagine esforço de vendas que você tem que fazer para recuperar o prejuízo.

Existem garantias bancárias, reais, bons contratos e existe a honestidade.Se a pessoa é desonesta, não há garantia neste mundo que substitui o pagamento. Estes são os riscos de negócio que tem que enfrentar. Por isso todo cuidado é pouco e rodo rigor e persistência para receber é fundamental. Mas, você também tem que distinguir quando o cliente está em dificuldade.Todos passamos por elas. Aí, a sua compreensão pode cimentar uma base de relacionamento  inesquecível ou, ao contrário, deixar uma ferida no relacionamento, que nunca mais volta a ser o mesmo.E às vezes é preferível receber o que o devedor pode pagar, do que não receber nada.

O que vale é o dinheiro na sua conta e não na conta do devedor.

Stefan Salej
28.2.2015.


Friday, 27 February 2015

DO ATOLEIRO LATINO AMERICANO

Do atoleiro latino americano

Para os brasileiros, e em especial o governo e os políticos, neste momento só tem uma visão do mundo: o atoleiro brasileiro descrito na capa pela mais digna representante dos interesses econômicos britânicos e similares, The Economist. A descrição é perfeita e nem o falecido Binômio poderia, junto com o também falecido Pasquim, descrever melhor e pior ao mesmo tempo o que acontece no Brasil de hoje.

O único problema nessa visão, e há trinta anos em Belo Horizonte tinha só três assinantes dessa revista que hoje provavelmente já tem uns 100 assinantes nas alterosas, é que a América Latina não é só o Brasil, e nem a América Latina é a única região do mundo. Na verdade, os acontecimentos que mais afetam o mundo hoje não se passam nessa região. Os massacres provocados pelo Estado (ainda não se descobriu porque uma entidade terrorista que ocupou um território se chama de estado) Islâmico, são de arrepiar. E  é de arrepiar  o fato de  que os países ocidentais, cujos cidadãos lideram essa orgia sanguinária, simplesmente não dão conta. É uma guerra de maiores proporções, que atinge uma boa parcela de Oriente Médio, uma tragédia humana com milhões de refugiados e milhares de mortos, em que não se vê um final feliz, mas um final trágico.

E sem falar de novo na Ucrânia, na crise grega, que faz tremer o mundo financeiro, no Afeganistão de onde as forças aliadas nunca saem, e mais alguns conflitos menores. Mas, é o terrorismo que está assustando e permeando pelo mundo afora, como a gripe espanhola que até o início do século passado ainda matava em larga escala. E esse terrorismo não deixou a América Latina fora do mapa. É o caso dos atentados há mais de 20 anos na Argentina, comprovadamente dirigidos pelos iranianos. Após o assassinato do procurador que investigava o caso e acusava o governo da Cristina Kirchner de encobrir os criminosos, a servil justiça portenha isentou a presidenta de todas as acusações.

No vizinho Uruguai, que vai empossar o novo presidente neste domingo, estão vivendo em exílio humanitário alguns dos terroristas que Estados Unidos prenderam por muito tempo na prisão de Guantanamo. Estão se recuperando e um deles já declarou que quer sair de Uruguay e voltar ao seu país de origem. E continuando a rodada no continente, ainda não selaram a paz definitiva os guerrilheiros da FARC e o governo da Colômbia. Pelo jeito que essa negociação vai, parece que  nenhuma das partes tem interesse em concluir um acordo.

A maior preocupação no continente é a situação venezuelana. O governo Maduro perdeu controle de situação, transformou um movimento social chamado bolivarismo, em  um estado desorganizado, ditatorial e desesperado. E com todos em torno dele, sem saber o que fazer, esperando o pior. Esse sim é um país bem atolado!

Stefan Salej
28.2.2015.  

Sunday, 22 February 2015

DAS CONTAS A CONFERIR

Das contas a conferir


Imagine que você ganhou na Megasena. Sozinho ou com amigos, mas ganhou. Pouco ou muito, não importa,  a alegria será grande. Sua e da família e dos amigos. Até cunhado vai olhar para você de uma forma diferente, sendo que dizem que cunhado não é parente.

Agora, imagine que você trabalhou sempre direito, pagou seus impostos em dia, suas prestações e cartões de crédito, seguros, contas de luz e água, eventuais empréstimos, em resumo você não deve nada ninguém. O dinheiro suado, ganhou com honestidade. E ai, numa ação trabalhista a 500 quilômetros de onde você e sua família vivem, em uma cidade em que você não tem parentes, não tem amigos, e nunca esteve lá, o funcionário da justiça de trabalho se engana e digita o seu CPF para que bloqueiem a sua conta bancária para pagamento da dívida trabalhista. Você não conhece nem as pessoas envolvidas e da noite para o dia fica sem dinheiro nos bancos, seu salário fica seqüestrado, seu automóvel arrestado e sua vida vira de cabeça para baixo num toque mágico de teclado do computador. Advogado e custas judiciais, meses e meses para resolver, a sua vida mudou tão radicalmente como se por estudos matemáticos você ganhasse na mega sena. A probabilidade é quase idêntica, mas o resultado é bem diferente.

E quem não conhece alguém que já foi colocado nessa situação desagradável e desastrosa.Título protestado por engano, cobrança indevida, colocação da sua empresa ou do seu nome na lista suja de inúmeras entidades que só cuidam disso como SPC, ele mesmo sendo processado por falta de pagamento. Os bancos cobrando as despesas que você não contratou, as multas de trânsito das infrações que você não cometeu e contas pagas e não registradas. Das multas de trânsito que a empresa às vezes nem sabe que existem e entra no cadastro de inadimplência dos governos, não permitindo que a empresa opere com bancos oficiais ou receba qualquer benefício fiscal.

Claro que todo esse caos só vale para que  não é empreiteiro de empresa de petróleo. Em outras palavras, para fugir a tudo isso você tem que ter o tamanho do Eike Batista ou de uma empreiteira como a Andrade Guitterez. Aí os interesses são tão grandes que você se torna intocável e  ninguém se engana ao tratar com você.

Em resumo, precisa estar muito atento nas suas obrigações para se defender quando a roda da tortura burocrática girar em torno da sua empresa ou de você e da sua família. Todo cuidado é pouco e uma boa coisa é sempre conferir e conferir  e mais conferir as contas que você recebe. Seja de quem for, porque não são só os homens que se enganam, mas também essa parafernália digital também comete seus enganos. Sem falar dos hackers que dominam mais os computadores e provocam enormes prejuízos.

Stefan Salej
22.2.2015.

Thursday, 19 February 2015

DO CARNAVAL AFRICANO


Do carnaval africano

Duas das escolas de samba no Rio de Janeiro desfilaram com temas da África. A grande vencedora do desfile na Marques de Sapucaí, a Beija Flor, cantou, dançou, sambou e esbanjou beleza com tema sobre a Guiné Equatorial, um país dirigido há mais de 35 anos, com mão de ferro, por um presidente só que adotou recentemente o português como terceira língua oficial do país. E a Beija Flor mesmo, com a alegria enorme de ser campeã, não consegue explicar de onde vieram os recursos para a escola. Do governo do país africano, das empresas brasileiras que atuam lá, por sinal as mesmas que são mencionadas nos processos de Lava Jato ou de quem mesmo?

A outra escola, Imperatriz Leopoldinense, que não teve grande atuação e não precisa explicar o financiamento por enquanto, teve como tema o processo de integração racial e social da África do Sul liderado há 20 anos pelo legendário Mandela. Mas, teve como privilegiada espectadora a prefeita da Cidade do Cabo que está implementando em março de cada ano um carnaval cópia do nosso, junto com os donos da maior empresa de comércio eletrônico do mundo e sócia da Editora Abril, a Naspers.

Se juntarmos a isso a assinatura de convênio de cooperação entre a cidade de Windhoek, a capital da Namíbia com 250 mil habitantes, com Prefeitura de Belo Horizonte, podemos quase dizer que tivemos uma semana africana no Brasil. Bem, para quem não sabe nem onde fica Windhoek e nem Namíbia, é fácil de entender que esse é o país onde investiu em exploração de petróleo a construtora Cowan de Belo Horizonte. Aquela mesma que construiu um viaduto, que, na véspera da Copa, caiu e matou gente. Fácil de entender onde as duas cidades se encontram.

 E indo para o aeroporto de Confins, você cruza uma série de viadutos com nomes de países africanos que você nunca viu, não conhece  e você ainda não descobriu porque se juntaram aos nomes ilustres de José  Alencar e José Aparecido, além de alguns escritores mineiros.

O fato é que sem os africanos não seriamos o Brasil que somos. E também o fato é que a nossa ignorância do continente e do seu potencial para desenvolver parcerias culturais ou econômicas, sem falar nas políticas, é enorme. Duvido que as duas escolas de samba contribuíram em muito para aumentar este conhecimento, mas ajudaram. A nossa cooperação tem um espaço maior do que só a participação nas escolas de samba, e definitivamente não depende só de terceiros, mas de governos estaduais e municipais. A abertura por exemplo de leitorado de língua portuguesa brasileira na Universidade de Cape Town ou o estreitamento de cooperação na área vinícola entre a Universidade de Jequitinhonha e Mucuri, são só dois exemplos disso. Mas pela África, continente de 54 países, brotam essas oportunidades que devem ser aproveitadas, inclusive fora do carnaval.


Stefan Salej
19.2.2015.




Friday, 13 February 2015

SALEJ NO COMMENT: DA ALEMANHA FORTE

SALEJ NO COMMENT: DA ALEMANHA FORTE: Da Alemanha forte A dúvida não existe mais e é melhor acreditar. A Alemanha, que já era potência econômica mundial, assumiu de vez o seu p...

DA ALEMANHA FORTE

Da Alemanha forte

A dúvida não existe mais e é melhor acreditar. A Alemanha, que já era potência econômica mundial, assumiu de vez o seu papel como potência política mundial. O conflito entre Rússia e Ucrânia, estimulado pelos Estados Unidos e alguns aliados europeus, estava prejudicando os negócios alemães na região e criando um sério obstáculo para a retomada do crescimento econômico na região. E claro, com mais de 5 mil mortos e a destruição de cidades, tornava-se um perigo que alastrava o medo de guerra pela Europa. E ninguém esquece a ultima guerra nos Balcãs e seus massacres.

Como as sanções econômicas contra a Rússia não deram o resultado desejado e com a ameaça do Obama de fornecer armas aos ucranianos para intensificar o conflito, a Chanceler alemã assumiu o comando da situação. Dispensou a burocracia ineficaz da União Européia e desenhou seu próprio caminho para a solução. Convidou o enfraquecido presidente francês Hollande para ser parceiro, marcou os encontros com os presidentes da Ucrânia e Rússia em Minsk, capital da Bielorussia, onde manda o ditador Lukashenko, visitou Washington para que os americanos não fossem totalmente contra, e após dezesseis horas de negociações, concluíram um acordo de paz.

O presidente russo disse que a noite foi difícil mas a alvorada foi melhor, referindo se ao acordo. Um acordo frágil, o possível dentro do impossível, e com todos os cuidados agora para que aconteça a sua implementação. E aí, a super Angela enfrentou o segundo problema na semana: a renegociação da dívida grega. Firme em não permitir que os acordos sejam descumpridos, mas flexível em achar a solução. De novo a Alemanha assume a liderança das negociações, permite que a União Européia faça seu show, mas quem  dita as regras do jogo e o ritmo da dança é a Alemanha.

Mas, há também um terceiro momento dessa semana alemã no cenário mundial : a visita do seu ministro de relações exteriores ao Brasil.  À  Alemanha interessa a paz na região e sobretudo o sucesso econômico. São Paulo é a segunda maior cidade industrial alemã. As empresas alemãs são as que mais investem em produção com tecnologia, portanto geradoras de empregos de qualidade no país. É absolutamente gol de placa esta visita, inclusive às vésperas da Feira de Hannover, onde, caso excepcional, os industriais do Vale da Eletrônica vão em massa apresentar oportunidades de investimentos no Brasil.

Minas, que já foi palco de reuniões da Comissão Mista Brasil Alemanha, e recebeu na década de 50 os primeiros investimentos alemães no Brasil, está fora desse circuito de up grade da Alemanha no mundo. Primeiro, a Alemanha que conhecíamos não existe. E segundo, com a nova Alemanha, o diálogo tanto no nível internacional como regional terá que ser outro. O mundo será de novo diferente.

Stefan Salej
12.2.2015.



Tuesday, 10 February 2015

DO IMPERADOR E O APRENDIZADO

Do Imperador e o aprendizado

Ninguém é de ferro e, no meio de muita tensão, stress e preocupações, assistir novela não é exatamente ler um livro de Slavoj Zizek, filósofo europeu em moda hoje, mas não deixa de ser uma boa diversão. Mesmo sendo empresário ou empreendedor, não cai a coroa da sabedoria se você assistir a novela e souber se divertir e mais: aprender. Primeiro que as novelas brasileiras são da mais alta qualidade visual e apreciadas como cultura brasileira no mundo inteiro. Não tem nenhum produto brasileiro que atinja tantos países como as novelas. Avenida Brasil foi vendida para mais de 140 países que assim viram como é Brasil e quiçá ouviram falar o nosso português.

Em segundo lugar, porque não tem novela brasileira que não fale de empresa, de empresário e de negócios. Na maioria das vezes fala mal, apresenta uma realidade empresarial que só existe na novela, e quase sempre o empresário ou empresária é vilão. E mostra as relações empresariais através de uma ótica que o povo adora, mas que está  longe de ser a realidade de cada dia e de todos os dias dos empresários no Brasil. Ou não?

O último sucesso da TV Globo, Império, está mais perto  de Minas do que os outros. Mostra uma empresa que "mexe" com pedras preciosas, transformando-as em jóias, e com comércio ilegal,  enriquecendo uma família que fica destroçada com tramas de todos os tipos. Mas, ficam patente o exercício ilegal de negócios, vendas e compras  com ou sem notas, contas em bancos suíços à margem da  legalidade com acesso facílimo, e mais uma gestão complexa e difícil de uma empresa familiar. Empresa onde a família participa, filho rouba funcionários, pai se finge de morto, um misterioso Maurilio investe na empresa e procura ao mesmo tempo a sua destruição e mais e mais. Tramas e traumas, brigas e confusões, e a empresa como fica? Dificuldade financeira, funcionários sem receber salários em tempo e questionando a lealdade da empresa com eles, esquecendo o verso da medalha.

Mas não é só o Império que existe nesta história. Tem mais o cabeleireiro, micro empresário que administra seu salão como a maioria dos seus colegas. Informalmente. E o restaurante Enrico que passou ser a chamado de Vicente, onde os dois chefs motivam a equipe de uma forma interessante e  teve a muito comum denúncia falsa de higiene. Aliás, essa é a história verdadeira que foi inserida na novela.

Não deixam de ser interessantes outras personagens como Antoninho, com a escola de samba, e o dono do botequim com comida nordestina. Mas, também as novas relações, tais como a maneira de tratar os "diferentes",  como os homossexuais e o seu papel na sociedade e nas empresas, devem ser observadas cm  atenção. Em resumo, há de tudo, inclusive o discurso impressionante da Cristina quando se forma em administração de empresas após ser dona de box no camelódromo. E a história do pintor doente e a sua exploração.

Em resumo, preste atenção e se divirta. Você pode apreender muito. A fantasia às vezes está mais perto de realidade que você acredita.

Stefan Salej
7.2.2015.

Saturday, 7 February 2015

DO CAVALO GREGO

Do cavalo grego e a Europa

A história grega, e a Grécia tem história, conta que os gregos fizeram um cavalo de madeira cheio de soldados e infiltraram em Esparta, enganando os adversários e ganhando a batalha. Hoje os gregos enfrentam mais uma batalha, mas não é mais com Esparta, onde vivia a bela Helena,  mas com União Européia e seus aliados mundiais do mundo financeiro. Os inteligentíssimos e espertos banqueiros deram à pequena Grécia, membro da União Européia e de seu sistema monetário chamado euro, 316 bilhões de euros de crédito. Trocando em miúdos: o dobro do que contavam todas as reservas externas brasileiras no seu ponto mais alto. E desse dinheiro, que representa 170 % de produtos interno bruto da Grécia, os bancos privados emprestaram mais de 120 bilhões de euros ou aproximadamente 500 bilhões de reais. O resto são empréstimos dos governos e agências multilaterais como o Fundo Monetário  e Banco Central  Europeu.

Para receber os créditos de volta, os credores inventaram a chamada Troika, composta por representantes do Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Européia. E se alguém lembra ainda das missões do FMI que vinham ao Brasil e sua fórmula, deve entender facilmente como essa Troika funciona:  privatizações, corte de despesas públicas, reforma de pensões e saúde pública, e mais tudo o que leva a economia à recessão, desemprego e, teoricamente, permite pagar a dívida.

Deu certo? Só do lado negativo. Levou  o povo grego a uma miséria sem precedentes, e não produziu um centavo a mais para pagar a dívida. E fez tremer todo o sistema monetário europeu, quiça mundial, como disse ministro de finanças do Reino Unido.

Agora, tem novos atores no palco de tragédia grega: Syriza. O partido que ganhou a maioria no parlamento e que foi eleito para mudar a situação. Seus dirigentes, jovens, bem educados, percorreram as capitais européias para propor mudanças. Em alguns capitais foram recebidos com certa simpatia, em outros como Berlin, com nenhuma. O fato é que Grécia não tem como pagar essa dívida dentro das condições impostas hoje. E se não acharem uma solução, a saída da Grécia da União Européia, também não é solução. Os gregos já falaram que foram eleitos para acabar com a recessão e miséria que foi implantada no país e que em nada muda seu rumo. E os europeus já disseram que tem que pagar, custe o que custar.

O impasse não é grego, é do sistema e da Europa. E a revolta das populações por imposições de ordem monetária não está restringida à Grécia. Na Espanha, um partido novo, Podemos, foi apoiado nas manifestações recentes por mais de 150 mil pessoas. Na Itália, o jovem Renzi tenta achar soluções não ortodoxas.

Para o Brasil, a crise de União Européia é muito prejudicial. E as soluções que vão apresentar podem servir de exemplo também para a economia tupiniquim.

Stefan Salej
6.2.2015.