Sunday, 20 May 2018

DO CASAMENTO REAL E BREXIT


DO CASAMENTO REAL E BREXIT

Fascinante o casamento do sexto pretende ao trono britânico, atualmente Duque de Sussex, Harry, com a agora duquesa, ex-divorciada, americana, afrodescendente, feminista, independente e famosa Meghan Merkel. No show, todo casamento real é um show, que foi assistido por mais de um bilhão de pessoas (cinco vezes ou mais do que a população total do Brasil) apareceu de tudo e todos. Mas, não havia políticos (não são convidados) e nem os colegas do elenco da ex-atriz da série Suits. Mas havia um coral Gospel de melhor qualidade, e um Pregador anglicano- americano falando de Martin Luther King. Realmente, para confundir qualquer um da Corte real britânica e tentar convencer o mundo de que a realeza britânica está se atualizando com relação ao que está acontecendo no mundo. O Reino Unido apareceu bem em cores e ao vivo, dizendo ao mundo aí estamos, vivos, ativos, lindos de morrer e continuamos atores importantes. Show de primeira.

Algo incrível é a fascinação, só faltou tocar esta música no casamento, que as pessoas têm com a monarquia e, em especial, a britânica. Do ponto de vista dos regimes democráticos, é uma forma que renega o princípio básico da democracia, que é a possibilidade de alternância no poder. Na Europa, além do Reino Unido, há monarcas chefiando o estado na Noruega, Holanda, Dinamarca, Espanha, e  Suécia. Alias, todos países bem administrados. No Brasil, há alguns anos tivemos referendum onde pessoas votaram a favor de um regime presidencialista, contra o parlamentarismo e a monarquia.

Mas, o casamento real desta semana, que trouxe para a Londres uma injeção enorme de dinheiro (casamento é business, além do amor, como disse o pregador americano) coloca também em questão como está o Reino Unido. A questão das mudanças na corte, com a presença de uma americana (por sinal para os britânicos  uma péssima referencias em função do rei que na década da 30 renunciou   Para casar com uma divorciada americana), não vai ser suficiente para reavaliar o papel do Reino Unido, ainda membro do Conselho de Segurança da ONU e força militar mais for forte da Europa, no mundo.

O antigo império britânico se esfacelou, mesmo sendo defendido com sangue (como a invenção dos campos de concentração na guerra dos Boers na África do Sul, onde foram assassinadas mais de cem mil pessoas. Ou o enforcamento dos combatentes judeus durante a luta pela  independência da Palestina. Ou na guerra em Chipre.Etc.etc.), mas ficou a Grã Bretanha procurando seu espaço perdido. Com a saída da União Europeia, não há canto de gospel que vá ajudar a redefinir o papel do país no mundo. Não vai bastar show, nem arrogância dos diplomatas, nem nossa fascinação, mas mais tecnologia, mais alianças, mais criatividade. O Reino Unido terá que, inclusive com sua diversidade cultural (no casamento estava o cantor Elton John, homossexual, enquanto lembramos que o gênio da computação Alain Turing se suicidava há 75 anos atrás por o homossexualismo ser proibido na Inglaterra) mostrar a sua diversidade econômica para continuar a propensa liderança no mundo.

Wednesday, 16 May 2018

DA ARGENTINA TURBULENTA


Da Argentina turbulenta

A semana de mau tempo em Buenos Aires não foi só de chuvas e trovoadas propriamente ditas, mas de uma turbulência econômica assustadora. Surpreendente, de certa forma, porque os incautos observadores da república portenha achavam que os piores momentos na economia passaram e que o governo Macri era só alegria. A sua aceitação internacional, a vitória nas eleições  parlamentares intermediárias, a determinação em fechar acordos internacionais através do Mercosul e algumas reformas sistêmicas, davam a impressão de um futuro brilhante e de uma re-eleição garantida no próximo ano.

Mas, o descontrole do câmbio, a repentina elevação dos juros pelo Banco Central (taxa básica de 40 % ao ano), a elevação da inflação ( prevista para este ano em  20 %) , levaram a Argentina, com a desculpa de que o dólar norte-americano se sobrevalorizou e prejudicou o peso argentino, a um turbilhão inesperado para os incautos e bem-vindo para todos aqueles que sempre ganham com a crise argentina. O capital, que vinha alegre, e em quantidade, de repente, saiu do país, com a mesma alegria, como escreveu o influente New York Times. Aliás, algo para lembrar no caso brasileiro, em que teimamos que capital só vem, e que não vai embora em velocidade ainda maior quando realizou seus lucros ou sentiu o perigo. O Banco Central argentino queimou, para manter a moeda em pé, mais de cinco bilhões de dólares.E aí vêm as declarações tantas vezes já ouvidas pelos investidores estrangeiros das autoridades argentinas, só mudam os nomes, mas não as frases, de como tudo está calmo e resolvido.

No Brasil temos mais especialistas em Europa, agora em China e Estados Unidos, do que entendedores de Argentina. A crise cambial argentina bate de frente com a recuperação da economia e, em especial, da indústria brasileira. Nosso superavit comercial, basicamente de manufaturados, de 10 bilhões de dólares, com Argentina, é resultado da recuperação da economia portenha. E a nossa exportação de automóveis é principalmente destinada ao país vizinho. Como 70 % de automóveis produzidos na Argentina usam peças importadas e a maior parte dos automóveis é importada, a desvalorização de 30 % da moeda local terá efeitos imediatos no custo e no preço de venda. Em resumo, acabou a alegria. Ficou mais uma vez a saudade da boa relação comercial.

A nossa aliança com a Argentina deveria ter sido mais solidamente revista há mais tempo. Mas, como somos também mais de vento do que de formação de uma política externa e comercial a longo prazo, acabamos aceitando esse tipo de eventos como normais. Aliás, estamos nos iludindo com superávits comerciais, inclusive com a China, sem nenhum fundamento sólido para uma relação consistente a longo prazo. Estamos confundindo balança comercial com balanço de pagamentos. Também no Brasil vai faltar dólar em breve, com a gestão e com a política de comércio exterior que temos. E mais, devido à base exportadora, que se restringe a poucos empresas, poucos produtos e poucos mercados. O efeito vodka, eu serei você amanhã, poderá se repetir, sem sabermos quando e como.


DAS PROPOSTAS DE MINAS


DAS PROPOSTAS DE MINAS

Matematicamente falando, ninguém se elege Presidente da República sem os votos de Minas. A prova pode ser confirmada pelo Senador mineiro que perdeu as últimas eleições presidenciais exatamente na terra dele, segundo colégio eleitoral. Assim, a caravana dos presidenciáveis já começa a namorar o eleitor e a eleitora mineira. O primeiro foi o Capitão Deputado Jair Bolsonaro, que esteve em Belo Horizonte a convite da virtual Coordenação das entidades empresariais de Minas . E ele trouxe a tiracolo seu conselheiro econômico, o  professor Marcos Cintra, um dos mais proeminentes especialistas brasileiros em assuntos tributários. Os debates em público e em privado foram interessantes e a porta das discussões com os presidenciáveis foi aberta.

Mas, o que realmente o eleitor mineiro quer dizer aos candidatos, sejam à presidência da república, ao governo do estado, ao legislativo federal ou estadual? As reivindicações clássicas, como saúde, educação, e segurança pública não preenchem as necessidades do eleitor. Em resumo, não enchem a barriga porque ainda falta emprego, e definir que tipo de emprego e onde.  Se pensarmos na velocidade de adoção de tecnologias e que o próximo presidente, com re-eleição, pode ficar oito anos, temos um cenário que ninguém consegue enxergar para dizer como será o emprego nos próximos anos. E se lembrarmos que os postos de gasolina poderiam ser totalmente automatizadas, como são nos países desenvolvidos, mas no Brasil temos lei que obriga o posto a manter  frentistas para gerar empregos, temos um retrato do conflito tecnologia versus emprego já no nosso nariz. Ou a automatização da cobrança nos ônibus, que também já poderia dispensar cobrador.

Na área de conceitos macro, sejam sociais ou econômicos e políticos (como a revisão da constituição, por exemplo), precisa-se elaborar o que os mineiros pensam. Começamos pelos empresários, que são atores políticos dos mais estruturados (apesar de que temos entidades hoje sob judice e outras  em transição eleitoral), que devem ter posições conjuntas por exemplo sobre a reforma do estado e a reforma fiscal. Ou do judiciário e a complementação da reforma trabalhista. Não estamos falando de declarações de dirigentes setoriais, estamos falando de propostas concretas que obrigam candidatos a compromissos concretos. Inclusive no nível do governo e do  legislativo estadual.
Não há mineiros nas equipes dos presidenciáveis e nem na composição das chapas ainda. Mas, isso também não garante que as idéias individuais prevaleçam sobre as propostas. Precisa-se de propostas concretas, claras, tecnicamente consolidadas e politicamente amarradas para os candidatos. Senão, estas eleições serão de novo eleições sem as mudanças tão necessárias. E o segundo colégio eleitoral do país, com seus atores políticos e econômicos, não se pode omitir neste debate.

Monday, 30 April 2018

DO PRIMEIRO DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR


DO PRIMEIRO DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR


A esculhambação que o país vive, às vésperas das eleições gerais de outubro, é de tal tamanho que o feriado de 1° de maio, dia de trabalho, ou de São  José Marceneiro, virou mais um feriado sem significado algum. Os sindicatos dos trabalhadores, ricos em recursos que lhes foram destinados durante o governo Lula e pobres porque os recursos foram tirados pelo governo Temer (o que aliás vale também para os sindicatos empresariais), vão fazer grandes shows, quem sabe churrascos e bebedeiras, mas não passa disso. A nossa estrutura sindical, fundada pelo governo Vargas na base da legislação fascista italiana, foi se deteriorando a olhos nus e hoje não serve nem para fazer uma grande manifestação nacional  pela dignidade do trabalho e pelos problemas que o trabalhador ou a trabalhadora enfrentam.

Primeiro de maio não  é essencialmente um dia de protesto, como nasceu na história do movimento trabalhista, mas de reflexão de como está a situação do trabalho. O protesto é uma forma de expressar essa situação. A outra é reflexão dos atores envolvidos, governo, empresários e trabalhadores, como parceiros num pacto social imaginário, sobre a situação do trabalho no  Brasil. Analisando as estatísticas e comparando com outros países mais desenvolvidos socialmente e economicamente, um desastre. 

Além de um número absurdo de desempregados (14 milhões) e sub-empregados (outros 15 milhões), sem perspectiva de emprego, temos ainda ilhas de trabalho escravo, milhões de ações na justiça do trabalho, uma legislação trabalhista que não consegue ser modernizada, de incentivar conflito e injustiças, e um sistema educacional que, mesmo com alguns exemplos como o SENAI e o SENAC de São Paulo, tem educado mais para o desemprego do que para o emprego. 

A  questão que se coloca não é o que está acontecendo hoje, mas o que vai acontecer amanhã. Qual a perspectiva, numa competição tecnológica acelerada, de que haverá trabalho, e de que tipo e empregabilidade, no futuro. E se continuarmos com o modelo em que os salários são baixos e os encargos altos, com benefícios sociais regidos pelo estado ineficaz, temos uma mistura pouco competitiva da nossa força de trabalho. Ou seja, podemos ficar bem preocupados. O emprego  de hoje, como foi também no passado, não se aproxima nem um pouco do emprego de amanhã.

Não no final vale a pena perguntar se a organização política dos trabalhadores e seus sindicatos, ou seja entre outros, o Partido dos Trabalhadores, fez seu papel de avançar nos direitos dos trabalhadores  (há vários partidos políticos no Brasil que usam o termo “trabalhista” no seu nome) ou se apenas se utilizou a massa trabalhadora para fins políticos pessoais ou de grupos ideológicos ou fisiológicos. 

Se quisermos que o país avance, o diálogo sobre a evolução do trabalho e o papel dos trabalhadores, com o 1° de maio caído no ostracismo ou não, vai ter que existir. Sem diálogo, capital e trabalho não há avanços nem na área social e nem na econômica.

Thursday, 26 April 2018

Joaquim e Flavio, um namoro que poderia dar certo


Joaquim e Flavio, um namoro que poderia dar certo
Se Joaquim Barbosa/Flávio Rocha são capazes de ganhar a eleição, é uma questão de um milhão de dólares

Que tipo de socialismo representa o Partido Socialista Brasileiro, hoje namorando o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, como candidato à presidência da república? Os documentos do partido são feitos pela Fundação Otávio Mangabeira e representam o pensamento clássico socialista da Europa. Nem tão atualizado com o mundo atual e nem tão atrasado; não poderia, por exemplo, se comparar com outros partidos que, como o PSDB, também usam o termo socialista. Ou, seja um partido mais social nos seus ânimos do que socialista de verdade e, no seu funcionamento, absolutamente parecido com os outros partidos políticos brasileiros. Mas, no meio conservador empresarial, socialista ainda é um termo que assusta.
Para que a complexidade eleitoral seja reduzida, uma aliança do Joaquim Barbosa com Flávio Rocha - empresário, ex-deputado constituinte, dono das Lojas Riachuelo, oriundo do Rio Grande do Norte, de onde transferiu uma boa parte de suas indústrias para o Paraguai - repetindo a dupla Lula-José de Alencar, traria ao ativo eleitoral do Barbosa, um self made man, a elite empresarial. E dinheiro para campanha. E mais: Flávio Rocha, que recentemente esteve numa fracassada visita à Fiemg, tem ideias sobre economia, finanças e desenvolvimento. Já foi candidato à presidência, conhece o Brasil e é bem independente.
Flávio não está envolvido em LavaJato, enquanto Joaquim tem a seu favor a bem sucedida ação do Mensalão.  Em resumo, dois limpos. Regionalmente, Flávio traz São Paulo e Nordeste; Joaquim traz Minas. No final, Minas teria de novo um candidato a presidência. Quanto à química entre dois, e se Joaquim Barbosa/Flávio Rocha são capazes de ganhar a eleição, é uma questão de um milhão de dólares. E se Joaquim Barbosa está preparado para dirigir um governo de coalizão, incluindo neste jogo os empresários e o mercado, é uma questão de um bilhão de dólares. 

DOS 70 ANOS DE ISRAEL


DOS 70 ANOS DE ISRAEL

Há setenta anos foi fundado Israel, uma república democrática com democracia representativa, único país não árabe no meio de um mundo árabe, e único país democrático num mundo de países autocráticos, monarquias e democracias autocráticas. Um país que surgiu de uma resolução das Nações Unidas, na sua Assembleia Geral presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. Nasceu um país cujos habitantes tanto sobreviveram à luta contra a ocupação britânica, (que não hesitou em enforcar judeus lutando pela independência, além de outras barbaridades, como fazer de tudo para que a convivência entre judeus e árabes se transformasse em ódio, facilitando a sua administração) como vieram de uma Europa onde foram assinados seis milhões de judeus, além de outros chamados inimigos do Reich alemão. 

A história milenar dos judeus errantes, perambulando pelo mundo (ainda hoje só 50 % dos judeus no mundo vivem em  Israel), de repente parou com a fundação do Estado de Israel. Um país cujos habitantes na sua maioria vieram das várias partes do mundo, cujas terras eram pouco férteis e sem comunicação com o mundo. Os judeus que as habitavam fizeram universidades, e começaram, através dos kibutzim, comunidades de trabalho, produção e comercialização, a transformar, com o uso eficaz da água, o deserto em terra fértil. Das universidades saíram empresas de tecnologia, e, com senso comum, foi construído um estado democrático, forte  e avançado.

Como para os judeus nunca nada foi dado, ou foi fácil, também a construção do Estado de Israel não o foi. A construção do Estado de Israel, várias vezes atacado pelos vizinhos árabes, exigia uma força militar de defesa eficaz e eficiente. Mas, sobre tudo, uma força cuja base é o serviço militar obrigatório de jovens de ambos os sexos, antes de entrarem na universidade. Em Israel, como disse o já falecido Primeiro-Ministro e Presidente Shimon Peres (nascido na  Polônia), não há espaço para sonhos pequenos.

O país hoje é admirado no mundo inteiro pelo seu sucesso tecnológico e econômico. E também pela sua força  militar. Geograficamente, é o centro de três religiões, judaísmo, islamismo e cristianismo. A sua capital, Jerusalém (entre os judeus existe a frase, No ano que vem em Yerushalaim), é a síntese da evolução do mundo. Mas, os setenta anos não são nada em relação à historia milenar dos próprios judeus e dos povos árabes vivendo na região. Israel tem uma população árabe significativa, com seus representantes no parlamento, a Knesset, e uma situação ainda não resolvida com os palestinos vivendo em Gaza e nos territórios palestinos autônomos com sede em Ramalah. 

Como disse o Rabino Michel Schlesinger, existe um Israel de poemas e de imperfeições. Ainda há um caminho a ser percorrido para a paz entre judeus e árabes, os dois reconhecendo a necessidade de coexistência (em especial os radicais palestinos que não querem reconhecer o estado de Israel e lutam para destruir o mesmo). Israel festeja bem os primeiros 70 anos como estado independente, inclusive como exemplo de transformação de uma terra e agora de uma sociedade de convivência e paz. Mazal Tov!

Sunday, 15 April 2018

DO FACEBOOK, DAS FAKENEWS E DA DIGITALIZAÇÃO


DO FACEBOOK, DAS FAKENEWS  E DA DIGITALIZAÇÃO

Fora da prisão do ex-Presidente Lula, no cenário nacional, e mais os julgamentos nos tribunais superiores de justiça, além de um sem-número de candidatos à presidência do Brasil (incrível, se o país está tão ruim, por que tantos querem ser candidatos e por que já não ajudaram nestas dezenas de anos a consertar a situação?), e as declarações de sábios consultores dos candidatos sobre como vão refazer tudo, vieram notícias dos Estados Unidos que vale a pena comentar. 

O ataque aos alvos sírios pelas forças dos Estados Unidos, Grã Bretanha e França é um desses fatos. Mas, outro que nos afeta muito é o depoimento do fundador e principal executivo, de 33 anos, do Facebook, Mark Zuckenberg, no Congresso norte-americano. O questionamento de dois dias do bilionário ocorreu em função do vazamento de dados pessoais de 58 milhões de usuários do Facebook para uma empresa britânica, Cambridge Analytics, a qual, após uma análise super-sofisticada, vendeu informações a preço de ouro para o pessoal da campanha do Trump, que as usou com competência.

É muito importante lembrar que, com o avanço de tecnologias digitais e a  facilidades de seu uso, acabou uma boa parte da nossa privacidade. Com a facilidade de comunicação e a alegria de falar com as pessoas, informando sobre as nossas vida, damos informações que seriam sigilosas. E com o uso de avançados sistemas de computação (em especial, o uso de algoritmos) esses dados analisados servem para milhares de finalidades comerciais, políticas, de segurança e até de educação.

Na verdade, isso não tem nada de novo na história da humanidade. Na década de 1930, a gigante norte-americana de tecnologia IBM forneceu ao governo da Alemanha, já dirigida por Hitler, a de cartões perfurados Holerite, que permitiram o recadastramento da população alemã com detalhes (tais como religião, raça, opinião política, etc.), que bem alimentou o holocausto que ocorreu em seguida. Com precisão alemã e tecnologia norte-americana, assassinaram, entre outros, 6 milhões de judeus.

Hoje não sabemos bem quem usa quais tecnologias para fins de domínio político. Não tenho nenhuma dúvida de que o Brasil, atrasado no uso de tecnologias digitais para avançar economicamente e socialmente, tenha sido, através de operadores políticos, usuário das mais avançadas tecnologias para bem dos candidatos, partidos e usurpadores do poder público. Ou seja, o uso para o mal, sem controle da sociedade e do governo, das tecnologias digitais, supera o do bem comum.

Portanto, não nos surpreendamos nestas eleições, no ambiente em que vivemos de falta de regulamentação, que o grande instrumento para ganhar as eleições sejam armas ocultas, como aconteceu em outros países, recentemente, de tecnologia digital. Mais fakenews, notícias falsas, mais ataques cirúrgicos aos nossos  sentimentos, e menos privacidade. Quem sabe se a lembrança de 1933 e da experiência da época não esteja  tão distante da nossa realidade atual.