Sunday, 13 August 2017

DO PAO DE QUEIJO E DA INOVAÇĀO



Nos mercados globais, Minas Gerais é sinônimo de pão de queijo, café e cachaça. Para produzir um bom pão de queijo, precisa-se de polvilho e queijo. Misturando tudo isso e mais alguma coisa, faltava que esse produto maravilhoso da culinária mineira pudesse ser oferecido fora do cozinha da casa onde era feito. Gostoso é pão de queijo  quentinho com  cafezinho feito na hora. E aí entra na história a professora doutora Ana Maria  e sua equipe da Universidade Federal da Viçosa, que descobre como congelar a massa do pão de queijo. E o projeto foi financiado pelo SEBRAE Minas.

Os resultados estão aí: uma indústria bilionária, cuja cadeia produtiva emprega milhares de pessoas e leva o produto aos quatro cantos do mundo. A professora deve estar aposentada e ninguém mais lembra dela e da equipe (as tais pesquisas acadêmicas), nem ela nem a universidade na época dirigida pelo atual presidente da FAPEMIG, prof. Evandro Villela, receberam um tostão e nem o SEBRAE Minas recebeu compensação financeira pelo que fez. Mas, a economia de Minas, gerando empregos, e as empresas competitivas, sim, existem e estão prosperando.

A cachaça artesanal mineira, outro produto cujos preços estão proibitivos, mas mesmo assim é um produto global, atingiu sua qualidade quando pesquisadores das universidades ajudaram a melhorar a qualidade, introduzindo métodos de produção e controle de qualidade comparáveis à produção do conhaque francês. E ai entrou o marketing, com esforço empresarial, que também levou a mais empregos e mais resultados positivos das empresas. 

Do café arábica Minas, marca reconhecida mundialmente, aos cafés gourmet, o caminho foi longo e persistente. Também neste caso as universidades tiveram um papel fundamental. A aliança de cafeicultores com pesquisadores elevou a qualidade e colocou  no mercado mundial produtos que fogem à especificação comum de café commodity para atingir preços que compensam a qualidade oferecida.

Há outros exemplos, como o nascimento do projeto Cerrado na agricultura, que começou na antiga Escola de Agricultura de Lavras e faz hoje do Brasil uma potência agrícola mundial. A corajosa iniciativa de formar um núcleo de Biotecnologia, a BIOMINAS em Belo Horizonte, a fábrica de chips com cooperação com suíços, e algumas outras iniciativas que hoje têm sua expressão maior em centenas de start up,  que crescem como cogumelos após a chuva pelo estado afora.

Os desafios porém sao maiores, porque a saída da crise brasileira passa pela transformação da sua economia copiadora em uma economia inovadora. E para isso não faltam nem pesquisadores, nem universidades, nem dinheiro. Claro que o sistema acadêmico vive reclamando da falta de recursos, principalmente neste momento, esquecendo que temos 30 milhões de desempregados  e estamos em um processo de reajuste econômico onde todos temos que perder os anéis, principalmente os políticos, para não perder os dedos.

O grande problema nosso é acreditarmos que a inovação é o único caminho para melhorarmos o país. Precisamos ter coragem para criar  alianças que produzam resultados em uma economia digital, de blockchain, de big data, de analytics, de inteligência artificial, de indústria 4.0, de física quântica etc.


Estamos de costas para o futuro, investindo em tecnologias que produzem resultados parcos mas não nos colocam na frente da corrida para a conquista do mundo. Investimentos bilionários que atendem a uns, como laboratórios de alta tensão, centro de tecnologia ex-estatal para atender industrias fora do estado, pesquisas repetidas em dezenas de universidades no estado, nos obrigam a repensar urgentemente a nossa política de inovação, incluindo centenas de start up que produzam resultados palpáveis para a economia do estado.

Sunday, 6 August 2017

DO MERCOSUL E DA VENEZUELA



Viver em um estado que não tem nem fronteiras estrangeiras e nem acesso ao mar é uma coisa. Outra coisa  é viver na fronteira e, em especial, hoje, nas fronteiras com a Venezuela, de onde vêm milhares de pessoas fugindo da fome, enfrentando o desespero e a falta de emprego. Sim, os venezuelanos estão fugindo e vindo para Brasil. Os retratos de lutas nas ruas de Caracas e  de falta de alimentos no país todo são a realidade que o social-bolivarismo criou para o seu povo. Estranhar o que esta acontecendo na riquíssima Venezuela em minerais e petróleo é ignorar o que acontecia desde que Hugo Chavez assumiu o poder há 18 anos. O truculento Maduro, que o sucedeu, só pegou o estado venezuelano quebrado porque na época de Chávez o preço do petróleo, único bem exportável do país, estava, como o preço de outras matérias primas, lá nas alturas, e agora não vale nem a metade do que valia daquela época.

O Brasil aproveitou bem a amizade com Chávez e nossas empreiteiras fizeram um verdadeiro bacanal nos negócios por lá. Uma empresa que de construção de siderúrgica só sabia como faturar algumas vezes mais a remoção de terra, quando fez a terraplanagem da Açominas, construiu uma siderúrgica cinco vezes mais cara do que vale na mercado internacional. E assim foi com inúmeras  obras executadas pelas empreiteiras brasileiras. Mas, quem se incomoda, se o credor desse dinheiro não são as empresas, mas nosso BNDES e outros órgãos similares. O Brasil é que não vai receber e, pelos cálculos bem otimistas, os venezuelanos nos devem mais de 45 bilhões de dólares.

É aí que mora o problema do nosso relacionamento com Caracas. Esse governo, além de ter transformado o país em uma ditadura populista e com grande probabilidade de transformar o conflito social e político em guerra civil, e, sem nos esquecermos,  com o apoio dos governos Lula e Dilma, não vai sair de lá por qualquer meio democrático. Além do mais, é preciso perguntar qual é o papel dos Estados Unidos nessa história. Maior importador de petróleo venezuelano, nada tem a receber do Maduro. Ao contrário, se eles fornecem petróleo em dia e com bons preços, tudo está perfeito. Mas, até quando o governo Trump, que conta com um executivo da indústria petroleira, que inclusive teve um enorme conflito com o governo Chávez e conhece o país, vai olhar isso com calma. E se em um momento de mau humor não diz basta, comigo ninguém brinca, e manda resolver tudo na marra, para dar exemplo de que os Estados Unidos continuam a grande potência que manda na América Latina. Governos muito mais racionais do que este invadiram Granada (ninguém mais sabe onde fica) e pegaram a laço Noriega, presidente narcotraficante, no Panamá. E ficou por isso mesmo.

Nessa história, a declaração dos chanceleres dos países de Mercosul (fundado há 25 anos no governo Itamar Franco, em Ouro Preto), Brasil, que preside o bloco agora, Argentina, Paraguai e Uruguai, suspendendo a Venezuela do bloco agora, mas deixando as portas abertas para o dialogo, é um sinal de bom senso e uma procura de uma solução pacifica. A diplomacia brasileira voltou a liderar o processo, difícil, mas único possível para uma solução que evite derramamento de sangue e traga a Venezuela de volta para a comunidade dos países democráticos. Um caminho árduo, porque Maduro, também apoiado pelos chineses que lhe dão suporte financeiro e estão adquirindo suas  reservas petrolíferas, quer ser herói nacional e entrar para a história como defensor de um regime falido que empobreceu o país e o levou para a guerra civil. E nessa historia nem falamos dos militares venezuelanos, hoje treinados pelos cubanos. Em resumo, um futuro bem complexo e ruim para nós, vizinhos daquele país.

Sunday, 30 July 2017

DA VOLTA ÀS AULAS E A EDUCAÇÃO




Milhares de alunos do pré-primário à universidade voltam às aulas nesta semana. No meio deles haverá também os calouros, que estão entrando nas faculdades, e também um contingente de milhares que concluíram o curso superior no meio do ano a procurar emprego. E como a prioridade número um dos nossos dirigentes políticos em todos os níveis é a educação, não custa falar, no meio do ano, no ambiente político tão desagradável que estamos vivendo, um pouco de educação.

Alias, poderíamos iniciar esta conversa pela educação básica, que não se adquire nas escolas, mas no convívio familiar e no círculo que se vive. Sempre os idosos acharam que os bons modos das gerações mais novas  eram mal educados. E agora não é diferente. Expressões como Senhor e Senhora, que substituem o formal Vós no original da língua portuguesa, desapareceram. Hoje todos somos “ocê”, acompanhado com um Oi, sendo que o bom dia ou tarde já se foi para a estratosfera. Criou-se uma informalidade, não no linguajar, mas no comportamento, que nos coloca todos num saco só, sem distinção de idade, conhecimento, respeito ou  qualquer esforço de mantermos uma distância hierárquica muitas vezes útil  (ou não) para distinguirmos os mais experientes dos mais incautos. Todos e todas.

É uma enorme ilusão que a escola substitui o que o ambiente familiar pode dar em educação. Alias, a família é a nossa primeira unidade de negócios de que participamos. É nela que começamos a negociar, conviver com um grupo de pessoas que são diferentes da gente e com a qual crescemos e vivemos os dramas e alegrias do dia a dia. Aliás, a ministra da indústria e comércio, mineira de Ponte Nova, Dorothea Werneck, já dizia que a implementação das normas de qualidade nas empresas levava essas normas também para as casas, onde se começava a vislumbrar um comportamento coletivo familiar mais organizado nas finanças, nos projetos de vida e na mobilidade social.

Nesse capítulo vale observar que o brasileiro no exterior, não estou falando dos nossos patrícios de Governador Valadares, que emigraram para poder trabalhar e sobreviver,  é conhecido por falar alto, gritar e se exibir. Só no exterior? Provavelmente não, porque os jovens da nossa elite (veja quanto ...inhos  temos nas redondezas da nossa vida) são os que falam: sabe quem é meu pai? Sabe com que está falando? E abusam no trânsito, nas regras e nas leis.

O sistema de valores das pessoas é uma decisão de educação individual e familiar. As escolas podem ajudar, mas essa elite que domina o nosso dia a dia também foi criada, como se dizia antigamente, nas melhores escolas, mas não resolvem. Na crise que vivemos e ainda vamos viver por muito tempo, urge a procura dos valores individuais e, porque não, da nação brasileira.

E mesmo que Minas só tenha o Mar de Espanha, muitos rios e lagos, o peixe continua fedendo  pela cabeça.

Sunday, 23 July 2017

DA MALDADE E DO AUMENTO DO IMPOSTO

A inflação está em baixa, o desemprego, nas alturas mas estável, a exportação está indo bem, o saldo do balanço de pagamentos está bom, os juros da SELIC estão baixando, mas os dos bancos, não, os governos estaduais e  municipais já foram contemplados com programas especiais de refinanciamento, o BNDES já pode aumentar os juros a longo prazo porque as empresas não têm outras fontes de financiamento e, não no final das contas, todo mundo já acostumou a administrar as situações no meio da permanente crise  política. E aí podemos soltar as emendas parlamentares para mais uma rodada de criarmos estabilidade política e, com algumas medidas, garantirmos a meta fiscal. 

E aí vem a solução mais idiota possível, acompanhada com a frase de que o povo vai entender: aumento de impostos. O povo está saturado de ter que compreender essa situação, que se arrasta desde o governo do FHC. Juros altos, baixa taxa de crescimento de emprego, políticos fazendo o que querem e acham que estão certos e o governo achando que aumento de impostos resolve. Ou então que com um band aid da pior qualidade, no dia em que aumenta o imposto, faz uma reforma reduzindo algumas idiotices burocráticas que são uma gota no oceano do nosso sistema de governabilidade burocrática.

Em resumo, me engane que eu gosto.

Não acredito que nossos ilustres próceres econômicos não têm conhecimento técnico do que estão fazendo. Que a estabilidade monetária e fiscal são fundamentais para a estabilidade  democrática, não há dúvida alguma. Mas, que essas cabeças, carecas de saber, não têm outra solução, também não dá para acreditar. Ou então, só tem essa solução? O aumento de impostos sobre combustíveis é um imposto linear, atinge todo mundo e desencadeia um aumento de todos os custos adicionais. Até vaca no pasto fica atingida, porque a ração, leite, remédios, tudo vem com transporte. E o transporte público? Vai aumentar já, já. Ninguém segura mais os aumentos, mesmo que as cabeças ilustres em Brasília tenham calculado que isso não vai afetar a meta de inflação.

A revolta mais contundente foi feita pela Federação das Indústrias de São Paulo, com a campanha do pato revoltado com o aumento de impostos. Mas mesmo com protesto de algumas lideranças empresariais, os empresários não acompanharam os paulistas nesse protesto. E pior, onde estão os sindicatos  dos trabalhadores, que, como sempre, serão mais prejudicados? Vão para ruas defender seus próceres condenados e estão calados diante desta barbárie maldosa que nos foi infringida.

Num país relativamente desenvolvido, com milhares de doutores e boas universidades, temos sempre as soluções mais simples, menos criativas e piores por parte dos governos: para alguns tudo, como pagamentos milionários de emendas parlamentares e lavagens de dinheiro descobertos pela justiça, e para a maioria a conta para pagar. Até quando esse modelo de maldade econômica e enganação política vai aguentar?

Monday, 17 July 2017

DO POVO E PARA O POVO

DO POVO E PARA O POVO

Com mais de duzentos milhões de habitantes, você tem todas as imagináveis classes sociais (quem diria que Belo Horizonte teria parada LTBG um dia, e teve neste último domingo), econômicas , culturais, ideológicas e tudo o que os sociólogos e cientistas políticos podem achar que compõe a variedade nacional chamada Brasil. E por mais que se analise e destrinche essa variedade, sempre aparece que a maioria dos brasileiros não é nem de extrema direita ou esquerda, nem da abastada elite econômica ou política, nem só do Norte,  Nordeste, Sul ou Sudeste, nem só da Amazônia e nem só do sertão. 

Sempre se chega a uma conclusão, estatística e política, real e irreal ao mesmo tempo, que a maioria dos brasileiros é simplesmente o povo. Povão. Mistura de raças, culturas, raízes, convivendo e vivendo em todos os rincões do Brasil. O povão que tem uma cultura popular incrível, capacidade de sobrevivência  superior demonstrada  nos desastres naturais ou provocados como o de Mariana ( e sem solução até hoje) e resistência impar no mundo ao sobreviver à distancia que os separa dos políticos que elegem e da realidade que vivem no dia a dia.

Por exemplo, será que os dois deputados federais mineiros (os dois pertencendo a tradicionais famílias políticas que através de gerações sobrevivem a todos os governos e todas as adversidades, inclusive aos militares) que conseguiram nesta semana, por apoiarem o governo do Michel Temer, dez milhões de reais (ou seja mais de mil salários  mínimos cada um) vão dizer onde será aplicado esse dinheiro? Na saúde, na construção de estradas, educação, novos empregos? Qual a transparência dessas emendas parlamentares para os eleitores? Nenhuma.

E será que os políticos que nos representam realmente sentem e sabem quais são os problemas da maioria dos brasileiros? Temos mais de um quarto da população desempregada ou subempregada e sem nenhuma perspectiva de empregabilidade na nova onda de industrialização que se desenha nos horizontes do eventual desenvolvimento. A saúde pública é desenhada para a morte lenta, não do sistema, mas do paciente. E a educação procura caminhos para ser cada vez mais privada para alguns e oferecer educação pública, com raras exceções, com alguma qualidade.

Em resumo, o brasileiro, brasileiro mesmo, o povo (porque os endinheirados na sua maioria queriam ser cidadãos europeus no Brasil, ganhando dinheiro guardado lá fora, e reclamando que o país é insustentável) estaria preocupado em saber se Temer fica ou não? Me poupe por favor e pergunte se esse povão quer saber dos políticos. Quer saber é se essa roubalheira vai ser punida e se as coisas da vida diária para ele, emprego, escola, saúde, futuro dos filhos fora de narcotráfico, vai melhorar. 

Simples assim. Ao povão não  interessa uma democracia que destrói vidas através de populismo e corrupção. Democracia interessa e é boa se produz não só liberdades individuais mas também justiça e oportunidades iguais. É isso que os responsáveis políticos têm que oferecer antes que o desespero tome conta do país sem prumo e sem rumo. Estamos vivendo um genocídio nacional insistindo que jogos entre diversos atores do poder estão oferecendo uma vida melhor para o povão. Não estão e não sabemos, é onde mora o perigo, por quanto tempo essa situação poderá existir. Como disse Abraham Lincoln: você não pode enganar a todos por todo o tempo.

Sunday, 2 July 2017

DA CEMIG E DAS ESTATAIS MINEIRAS



A CEMIG foi fundada na década de 50, no governo de JK, para acelerar o desenvolvimento mineiro, cujo calcanhar de Aquiles era a energia, na época em mãos de uma empresa norte-americana. Desde o início, o fundamento da empresa era o alto padrão técnico e ético. A CEMIG foi o alicerce do desenvolvimento de Minas Gerais, tanto em termos de seu desempenho empresarial, como no de assistir a economia mineira para crescer na sua base industrial e pecuária. Alcançou as fazendas, as indústrias e as residências. O padrão CEMIG de qualidade era reconhecido no Brasil inteiro. E assistiu crescimento de uma indústria elétrica competente, que foi globalizada desde o seu inicio. Seus quadros, como João Camilo Penna, Mario Bhering, Paulo Mafra, entre outros, alcançaram altos cargos da República e fizeram tanto da  ELETROBRAS  como de  Furnas símbolos de eficácia energética.

A corajosa entrevista  do Presidente da CEMIG à Radio Itatiaia, Bernardo Alvarenga, que expõe as dificuldades da empresa em honrar seus compromissos financeiros, pesados e quase impagáveis, uma empresa composta por 200 alianças empresariais e subsidiarias, além de ter um sócio privado que acabou de fazer acordo de leniência, e com acionistas em 45 países e cotada na bolsa de Nova Iorque, requer uma análise e reflexão profundas. Não só dos acionistas da empresa, mas de toda sociedade e em especial do principal acionista, que é  o povo de Minas Gerais representado pelo seu governo. Dificuldades da  CEMIG são dificuldades de Minas, tal a importância da empresa no Estado.

Sem entrar em detalhes históricos que levaram a essa situação, como quando um diretor da empresa  declarou,  quando a construção de uma usina teve um aumento estupido de custos e os jornalistas perguntaram por que, respondeu, porque havia uma inflação em dólar e ai os custos aumentaram 400 %. Um das razões dessa situação é que os políticos substituíram os técnicos, com diretores de materiais elegendo-se deputados, ou os de distribuição, sendo estes os que angariavam votos no interior. Outra, que se fez uma aliança entre interesses privados de grupos industriais e de engenharia, troca-troca de cargos (presidente da empresa ou diretor ajudava ao fornecedor, em seguida aposentava, virava sócio da empresa e assim por  diante) além de que quando se fez a tal de privatização, inicialmente com um grupo norte-americano (onde teve gente que ganhou um muito dinheiro com especulação com as ações) e em seguida com um grupo de engenharia mineiro, fez-se um acordo para ganhar dinheiro e não para desenvolver a empresa, que entrou em novas alianças, entre elas a Light do Rio (da qual fugiram todos os demais investidores, como os franceses) e inúmeras outras, que contribuíram para que todos ganhassem e a CEMIG perdesse.

Não se pode desprezar nesse processo o papel do INDI, financiado entre outros  pela CEMIG, e nem a questão da concessão de usinas, que está se tornando numa disputa crucial com o governo federal. 

O Presidente da CEMIG está certo quando convoca todos os mineiros a ajudarem a CEMIG a voltar a ser empresa  de excelência para o desenvolvimento mineiro. Mas, precisa de mais do que de um apelo e de desinvestimento, como a venda da Light: precisa de um plano consensual de re-estruturação e compliance. Com os mesmos atores dominando a estrutura da empresa,  seja societária e gerencial, seja beneficiários externos, não haverá mudança que garanta resultados. A atual diretoria tem condições de fazer isso, mas os políticos e o governo do estado também têm que fazer sua parte. E mais: o setor privado também tem que entender o papel da CEMIG, como agencia de desenvolvimento e empresa de excelência, além dos ganhos individuais e da salvação de seus próprios negócios. Aí sim poderemos voltar às origens da empresa e ganharão todos.

Sunday, 25 June 2017

DA CARNE FRAQUÍSSIMA



Dizem no interior de Minas que, quando urubu resolve mudar de rumo, sai de baixo. De todas as notícias na área política que afetam a economia, a pior delas é de novo a proibição de entrada de carne em natura nos Estados Unidos. Não porque aquele país ao norte do Equador seja um dos maiores importadores da nossa valiosa carne bovina, mas porque se você exporta para um país como os Estados Unidos, você tem uma referência de qualidade do produto e de serviços que os outros aceitam com naturalidade.  E como os nossos bravos exportadores conseguiram, depois de tantos anos de trabalho árduo para distinguir a carne do Brasil, Brazilian beef, dos concorrentes argentinos, australianos e irlandeses, entre outros, que nos testes de qualidade fossem rejeitados 11 % dos lotes ao invés do limite aceitável de 1%, todos explicam mas não tem justificativa.

As explicações técnicas são  inúmeras, desde a vacina (produzida por quem mesmo?), da dificuldade de se identificar o problema, até dizer que isso não tem nenhuma importância para a saúde e mais: que tudo isso é lobby norte-americano contra os exportadores brasileiros. Só falta dizer que os maldosos norte-americanos inventaram isso para derrubar o governo Temer. Porque, de fato, a proibição de entrada de carne brasileira nos Estados Unidos, vai afetar em muito, mas muito mesmo a nossa economia. Se depois da Operação  Carne franca, que já afetou nossas exportações, não aprendemos que devemos tomar mais cuidado com a qualidade dos produtos que vendemos, seja no mercado nacional (porque pelo jeito esse controle não é  feito para o consumidor brasileiro) ou para o exterior, então a situação está grave. Culpar o cliente que coloca normas claras para o fornecimento e você não as cumpre, não  é desconhecer  as regras de marketing do professor Kotler, mas as básicas do comerciante da Rua dos Caetés: freguês sempre tem razão. Em resumo, é de uma burrice e má fé inaceitáveis.

Essa mania de desprezar a inteligência dos outros não é nova. Há alguns anos exportávamos quiabo para a Franca. Que chegava podre. Porque? Porque trocaram a temperatura medida em Celsius por medida em Fahrenheit. E porque? Porque um super doutor que supervisionava a operação estudou nos Estados Unidos, onde se usa Fahrenheit, e confundiu. E lá se foi o quiabo.

O episódio de agora tem consequências trágicas para a imagem de carne brasileira e todos os produtos alimentícios. Nossas churrascarias nos Estados Unidos serão afetadas,  a venda de pão de queijo, que ia tão bem, de cachaça, tudo, tudo. Isso é como bola de neve, só vai piorar.

Mas, o pior efeito será na economia rural. A arroba do boi está só baixando de preço, e com certeza absoluta quem vai pagar o pato é o pecuarista.

Está certo o Ministro da agricultura ir para Estados Unidos para conversar com os gringos, mas o problema não está lá, mas aqui. A Carne Fraca foi um  aviso, a luz amarela pela qual passaram todos os frigoríficos. E agora acendeu a vermelha. Passou da hora de levarmos esses assunto a sério, fazermos as mudanças que precisam ser feitas, porque a chamada ilusão de que o setor agrícola sustenta a economia vai tornar realidade a frase: o boi foi para o brejo.